sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (VII)

(O encontro)

Aquela semana não foi fácil. O domingo foi pra lá de difícil. Anna não conseguia entender o que acontecera na véspera, estava tão perto de falar com Gabriel, mas tinha de sair com os pais. Não parava de se perguntar por que não disse ao pai que tinha um compromisso inadiável, inventasse uma desculpa, uma amiga precisando de ajuda. Mas nada fizera. Fora ao passeio de família como combinado, deixando Gabriel para trás... Quis ir ao encontro de Julia de descobrir se foram a algum lugar, se Gabriel foi, se alguém conversou com ele, mas sabia que a amiga estaria fora naquele dia. Não havia nada que pudesse fazer. Pensou em ligar para a casa dele, àquela altura já conseguira o número, mas ia dizer o quê? Que era uma louca apaixonada por ele e que gostaria de encontrá-lo? Não podia, isso não combinava com ela e ainda correria o risco de ouvir, por telefone, um grande fora. Melhor não fazer nada, por enquanto.
Era semana de provas, que sorte. Preocupou-se tanto em preparar-se para as avaliações finais que não sobrou folga para lembrar o que fizera no sábado. E, assim, chegou novo final de semana. No sábado, depois do encontro, haveria uma festa de aniversário. Uma integrante mais nova do grupo, com quem Anna nem tinha muita afinidade, não que não gostasse da menina, mas pouco conversava com ela, procurava apenas ser acolhedora. Contudo, como o convite era para o grupo todo, Anna decidiu que iria à festa. Pensava consigo mesma se Gabriel apareceria, afinal, ele estava presente no último encontro quando Roberta fizera o convite.
Naquele sábado, cuidou de si como há muito tempo não fazia. Passou a tarde cuidando dos cabelos e das unhas. Não havia dito nada à sua irmã, Marina, que, apensar de ser apenas dois anos mais nova que Anna, era bastante diferente dela. Dificilmente saiam juntas, e não tinham amigos em comum. Marina tinha um namorado e, por essa razão, nem ao grupo ia mais. Mas, em casa, eram amigas, ajudavam-se sempre que uma precisasse da outra, havia uma certa conexão inexplicável entre elas e, claro, Marina percebeu naquele dia que havia algo diferente com sua irmã mais velha. Resolveu, então, dar uma forcinha.
Marina hidratou os cabelos de Anna e ajudou-a a esmaltar as unhas, coisas que Anna raramente fazia. Na hora de se vestir, escolheu um lindo vestido preto de alças finas e acrescentou a ele um lindo bolerinho vermelho de crochê. Emprestou um par de scarpin pretos e acrescentou um colar bastante delicado ao pescoço da irmã. Ajudou na maquiagem, escolhendo tons suaves de terra e, lógico, o melhor perfume da irmã. Anna estava tão linda que seu pai quis saber o motivo de tamanha produção.
- Vamos ter uma festa de quinze anos de uma garota nova do grupo. – Explicou Anna.
- E a que horas devo te buscar? – Perguntou o pai como fazia todas as vezes que Anna saía.
- Não precisa, pai, o Rafael vai me trazer depois da festa.
Rafael era um amigo de infância. Estudaram juntos, seus pais se conheciam. O pai de Anna nunca se importou que ele a trouxesse para casa ou a buscasse para passeios, confiava no rapaz, só nunca entendeu porque jamais namoraram, já que eram tão confidentes. Cansara de ver a filha ao telefone com o amigo, muitas vezes consolando-o, mas Anna insistia que eram amigos demais para se tornarem namorados.
- Então, se divirta. – Disse o pai com a voz mais carinhosa que se possa imaginar e, logo em seguida, beijou o rosto da filha como uma espécie de desejo de boa sorte.
Anna saiu de casa com a irmã, ela para o grupo de jovens e Marina para um jantar com a família do namorado. Levou tanto tempo se aprontando naquele dia, que perdera a hora da missa, iria no domingo com a família.
Chegou com a missa no fim, sentou-se ao fundo da igreja e ficou esperando que as pessoas saíssem para se aproximar dos amigos. Percebendo que a igreja já estava bem vazia, levantou-se para seguir em direção ao altar, virou-se para apanhar a pequena bolsa que a irmã insistira que ela levasse, sob a desculpa de que precisava de um lugar para pôr documento, mas Anna sabia que na verdade queria que ela combinasse a bolsa com o sapato, era a cara da Marina. Quando se virou para o corredor, estava, à sua frente, uma mão estendida... Gabriel, gentilmente, olhava para Anna como quem admira uma obra de arte.
Anna era uma menina muito bonita. Não muito alta, mas bastante elegante, com postura de manequim. Não era magra como as modelos de passarela, mas tinha uma cintura muito acentuada, como todas as mulheres da família do pai. A pele alva destacava os cabelos e olhos negros e, com o traje daquela noite, parecia ainda mais branca devido ao vermelho que cobria seus ombros. Fora sempre muito cortejada pelos garotos de sua idade e pelos mais velhos, mas não admitia isso a ninguém, preferia sentir-se comum, invisível, se possível.
Era evidente que Gabriel a olhava deslumbrado. Seus olhos brilhavam, só não se sabe se mais que os de Anna, que mal podia crer no que seus olhos viam. O que fazer? Pegar em suas mãos ou ignorá-las? Não! Era sua chance... Segurou na mão de Gabriel e sorriu. Foi o máximo que podia fazer. Tentar falar seria em vão, já se formara aquele nó na garganta que só quem já esteve diante de um grande amor conhece.
Gabriel estava elegantíssimo com uma calça social creme e camisa preta. Mantinha aquele perfume da semana anterior, quando Anna estivera a seu lado durante o encontro. Ele era o típico “mauricinho”, sempre muito alinhado, a camisa dentro da calça, cinto da cor do sapato, cabelos penteados para trás e as mangas longas da camisa enroladas até próximo ao cotovelo. Era um príncipe perfeito, só faltava ser dela.
-Você está linda...
Ouviu Gabriel sussurrar ao seu ouvido aproximando-se do rosto de Anna, logo após um beijo para lá de suave que recebera em sua face direita. Não lavaria nunca mais o rosto, era o pensamento de Anna naquele momento, mas palavra alguma ouviu-se de seus lábios, apenas o rosado comum às tímidas surgiu em seu rosto, confessando o que sentia.
Tão logo quanto Anna deu seu primeiro passo ao lado do amor de sua vida, Julia surgiu, como um raio, puxando-a como se esta fosse sua propriedade.
- Oi, Gabriel. - Disse, afastando-se dele e carregando consigo a amiga. – Precisamos conversar, na festa, ok?
- Aconteceu alguma coisa?- Quis saber Anna.
- Na festa. – Foi a resposta de Julia. E aproximaram-se dos amigos que já haviam formado o círculo diante do altar.
A reunião seguir muito animada, todos participaram ativamente, até Gabriel fez um agradecimento pela família e amigos. Desta vez, Anna permanecera ao lado de Mariane, no extremo oposto ao seu príncipe, tentando concentrar-se no encontro e não em sua presença.
Abraço da paz, e sentiu novamente o corpo de Gabriel junto ao seu, pode embriagar-se mais uma vez em seu perfume...
- Todos vão pra festa da Denize? – Perguntou Julio Cesar.
Ouviu-se um sim quase uníssono. E começaram a sair da igreja. Anna estava perto da porta quando sentiu que alguém tocava em seu braço. Virou-se e ouviu:
- Quer ir comigo? Pode trazer suas amigas. – Disse, Gabriel, com gentileza, mostrando aquele sorriso encantador que só ele tinha.
- Vamos. – Foi a resposta de Anna, voltando-se para Mariane e Julia, que estavam um pouco a frente de si, com aquele olhar de “diz-que-sim-pelo-amor-de-Deus”.
- Tá. Foi a resposta que ouviu.
E caminharam lado a lado até o carro de Gabriel. Um Gol preto.
- Príncipes costumam ter cavalo branco... – Comentou Mariane bem perto do ouvido de Anna, certificando-se de que ninguém mais pudesse ouvir. Mas a sua risada fez todos olharem. Anna riu também, mas nada disse.
Gabriel abriu a porta para que as amigas entrassem, o carro tinha apenas duas portas. Anna ficou por último, claro, acomodando-se no banco da frente, ao lado do motorista, que fechou delicadamente a porta para ela, antes de dar a volta e assumir a direção.
- Eu não sei onde é a festa, você pode me ajudar? – Perguntou a Anna com uma piscada de olho que fez Anna suar frio.
- Claro. – Foi tudo o que ela conseguiu responder.
As amigas ajudaram e em menos de dez minutos estavam estacionando o carro em frente ao salão onde se realizaria a festa.
Desceram do carro e caminharam até a entrada do salão, onde, após identificação, entraram e ocuparam seus lugares como indicado pela recepcionista.
Foi designado aos amigos um espaço “vip”, onde se formou uma espécie de barzinho, com mesas altas e pequenas, alguns bancos também altos e muito espaço para ficar em  pé e poderem conversar livremente, sem a presença dos adultos. O Bartender ficava no mesmo local, não servia bebia alcoólica, exigência imposta pelos pais da aniversariante, mas preparava drinks deliciosos com frutas e refrigerante, quem não soubesse, juraria que havia álcool.
A noite foi animadíssima. Quase todos os amigos de Anna estavam ali. Conversaram muito, riram bastante, dançaram tanto quanto fosse possível. Gabriel estava perto, não tão perto quanto Anna desejava, mas estava em seu campo de visão, e isso já era o bastante para ela sentir-se mais alegre que nunca. Estavam no mesmo ambiente, curtindo as mesmas conversas, companhias e distrações, era um ótimo começo.
Chegou a esperada valsa dos quinze anos e, junto dela, uma surpresa:
- A aniversariante pede que seus amigos a acompanhem na valsa. – Disse a cerimonialista, em alto e bom som, no microfone, e todos os presentes dirigiram seus olhares para aquele recinto.
Os pares foram se formando e lá estava, de novo, a mão de Gabriel estendida para Anna, que não hesitou, pegou-a e caminhou até a pista de dança, onde os outros casais já se encontravam, e a música começou. Vozes da primavera de Strauss. Roberta, acompanhada por um amigo, deu o primeiro passo da valsa e os demais a acompanharam.
Gabriel deslizou suavemente sua mão esquerda pela cintura de Anna enquanto a direita segurava firme e delicadamente a mão esquerda dela. A mão direita de Anna tocava o ombro de Gabriel com o desejo de abraçá-lo. E Gabriel a conduziu levemente ao doce som que tocava tão alto que ninguém poderia ouvir quando ele disse ao ouvido de Anna que era muito bom poder dançar com ela. Esqueceram que a valsa era da amiga e dançaram como se fossem o único casal presente naquele lugar. Pararam ao som dos aplausos que, certamente, não eram para eles e, por isso, passaram a aplaudir também.
Voltaram aos seus lugares e a festa continuou no mesmo clima de antes. Era pouco mais de uma hora quando Rafael aproximou-se dizendo que iria embora, mas antes que Anna pudesse dizer algo, ele mesmo se antecipou dizendo que Gabriel a levaria para casa. Anna olhou de um para outro e viu quando o amigo lhe piscara um olho. Entendeu que aquilo já havia sido decido antes. Despediram-se e Anna viu Rafael saindo acompanhado, também.
Poucos minutos depois, Gabriel dirigiu-se a Anna.
- Quando quiser ir, pode dizer.
- Acho que podemos ir já. É tarde.
Saíram da festa, caminharam lado a lado até o carro de Gabriel e ele, mais uma vez, fez questão de abrir a porta para Anna, que tinha dificuldade para crer no que estava acontecendo. Seguiram conversando até a casa dela. O salão onde fora a festa não ficava muito longe, cerca de vinte minutos de carro até a casa de Anna, mas Gabriel dirigiu o mais lentamente que podia, de modo que gastaram mais de meia hora para chegar.
Conversaram sobre muitas coisas. Anna soube as profissões dos pais de Gabriel, quantos irmãos tinha, nomes e idades, e falara o mesmo sobre sua família. Descobriu que ele estava no terceiro ano da faculdade de relações internacionais, falava inglês e alemão fluentemente e estagiava em uma multinacional alemã há um ano. Fora o primeiro aluno da turma de ensino médio, e tinha um boletim invejável na faculdade, ela viu seu extrato de notas caído no console do carro. Comprara aquele carro, que pagaria por mais dois anos, com o salário de seu estágio e uma ajudinha do pai. Era muito responsável e acreditava que amor verdadeiro existe.
- O que aconteceu entre você e a Letícia? Não deu certo? – Anna não podia perder a chance de saber sua versão sobre os fatos.
- Não. – Responder sinceramente, Gabriel. – Nós não temos muitas coisas em comum, sabe? Então achamos que era melhor cada um seguir seu rumo. Mas ela é legal, só não é quem eu queria ter comigo.
Anna sentia-se aliviada. A resposta de Gabriel era muito parecida com a que Letícia lhe dera, então ela não precisava mais se preocupar com a menina. Parecia que as coisas iam se encaixando. Seria mesmo ele o príncipe com que Anna sonhava há tanto tempo? Teria ela encontrado o amor de sua vida? Mas como saber o que ele sentia? Ele tinha sido gentil a noite toda, mas daí a saber o que se passava em seu coração era algo que Anna não podia.
Nunca precisara se declarar a alguém. Primeiro porque nunca amara de verdade, segundo porque seus antigos namoros começaram, simplesmente, sem que alguém dissesse o que sentia. Ela, de fato, não sabia o que fazer.
Chegaram à casa de Anna. As luzes estavam apagadas, mas ela sabia que a mãe estava acordada, pois nunca dormia antes que o último de seus filhos estivesse dentro de casa.
A casa ficava no meio de um terreno muito grande, de maneira que havia um caminho gramado e longo até a porta de entrada e Gabriel fez questão de acompanhá-la até a porta, alegando que estava muito escuro para ela entrar sozinha.
Agora Anna morreria. Seu coração deveria estar pulsando há 200 por minuto, ela sentia seu corpo todo trêmulo, aquele nó na boca do estômago apareceu novamente e ela sentia que poderia cair a qualquer momento, não suportando o peso de seu corpo sobre suas pernas. Chegaram à porta, e Gabriel, gentilmente, pegou em ambas as mãos de Anna, olhou em seus olhos com um brilho nunca antes visto e disse bem baixinho:
- Obrigada pela noite maravilhosa que tivemos. Adorei sua companhia. Espero tê-la outras vezes.
E, antes que Anna dissesse qualquer palavra, beijou-lhe a face e envolveu-a em um abraço forte e delicado que fez Anna sentir-se fora do chão. Todo seu corpo sentindo cada centímetro do corpo de Gabriel, quente, cheiroso, envolvente. Aquele abraço poderia durar o resto da vida. Anna não queria deixar que aqueles braços a soltassem. Nunca antes sentia algo semelhante. Era simplesmente inexplicável. A melhor sensação que já tivera na vida.
Soltaram-se.
- Abra a porta e entre, depois eu saio. – Disse gentilmente Gabriel.
Anna abriu a porta e entrou.
- Tchau. – Foi tudo o que conseguiu dizer.
Viu Gabriel afastando-se dela em direção ao portão, e quis gritar para que ele voltasse, ou correr ao seu encontro e beijá-lo, mas nada fez. Limitou-se a olhar... Quando ele fechou o portão, ela fechou a porta atrás de si, encostou nela e ficou, sem saber o que pensar ou fazer.
Quando, finalmente, conseguiu olhar para frente e caminhar para seu quarto, viu a mãe sentada no sofá olhando para ela.
- Quer me contar alguma coisa?
- Ainda não, mãe, mas acho que estou apaixonada...

Deu um beijo na mãe e foi para seu quarto.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (parte VI)


 (Será que é amor?)

Nunca uma semana passou tão lentamente como aquela. Todos os dias Anna se perguntava como poderia chegar até Gabriel. Como começaria uma conversa com ele, se eles mal se conheciam? Afinal, nunca foram apresentados, apenas estiveram no mesmo lugar por algumas vezes, e na maioria delas, ele acompanhado.
Anna era do tipo decidida, que não ficava esperando as coisas acontecerem, fazia acontecer. Mas naquela situação particular o que deveria fazer? Não sabia. Se ao menos estivessem por algum tempo no mesmo lugar, puxar conversa seria uma possibilidade. Pensou muito durante aqueles dias, mas, por incrível que parecesse, nenhuma ideia surgia.
O sábado chegou, e naquele dia ela, Julia e Mariane eram as responsáveis por preparar a reunião do grupo de jovens. Deveriam escolher o evangelho a ser lido e preparar uma oração para o encerramento, por isso, reuniram-se à tarde em sua casa e preparam tudo sem demora ou dificuldade. Chegou a hora de por a conversa em dia.
Não mais aguentando a agonia, Anna revelou às amigas o que vinha sentindo, e sofrendo, há dias. Confessara que estava verdadeiramente arrebatada por uma paixão que não sabia explicar, sequer sabia dizer como começara, afinal, nem ela mesma acreditava que houvesse se apaixonado tão perdidamente por alguém em um breve olhar, naquela manhã, quando iam comprar as coisas para a festa do pijama. O que sabia era que sentia algo por Gabriel e nunca sentira antes. Seria amor?
Mariane revelou que conhecia Gabriel há algum tempo, tinham estudado juntos no ensino fundamental, mas nunca tivera grande amizade com o rapaz, pois este sempre fora bastante sério e reservado, pouco falava de si e tinha menos amigos que qualquer pessoa que Mariane conhecesse, dentre os quais, jovens bem mais velhos que elas. Contudo acrescentou que ele sempre fora muito educado e gentil, além de ser destaque na escola por conta de suas notas. Mas depois trocaram de escola e ela pouco o via, a não ser nas missas.
Anna ficou bastante surpresa com essa revelação, pois frequentavam a mesma igreja e ela estava certa de não tê-lo visto antes. Como seria possível ter estado tantas vezes no mesmo lugar que Gabriel sem nunca o ter observado e, de repente, não conseguir passar um único dia sem pensar nele. “O amor tem razões que a própria razão desconhece”, era o pensamento de Anna diante daquele fato tão recente e inusitado.
Estava claro que deveriam fazer algo para que Anna e Gabriel pudesse ficar juntos por algum tempo e, ao menos, conversarem, mas o quê? O garoto era tão reservado que pouco o viam, a não ser nos últimos tempos, mas saber aonde ele costumava ir nos finais de semana era uma missão para lá de difícil.
-Quase impossível! Disse, finalmente, Julia, depois de ouvir tudo o que amiga disse sem qualquer comentário. – Eu sei onde o pai dele trabalha, e sei que ele costuma acompanhar o pai algumas vezes. Mas não dá pra fazer plantão lá, né?!
- Não. Claro que não. Disse Anna. Mas vou prestar mais atenção durante a missa, quem sabe sento perto dele...
- Anna, você nunca se senta. Está sempre ajudando em alguma coisa... Lembrou Julia.
A conversa ainda durou longos minutos, até que chegou a hora de cada uma voltar para sua casa e preparar-se para o encontro que planejaram e do qual seriam as responsáveis naquela noite.
O encontro começou, como sempre, com a leitura do Evangelho e Anna fora a responsável pela missão. Todos ficavam em pé, formando um círculo diante do altar, e Anna estava de frente para cruz, de costas para a porta principal, a única que permanecia aberta durante os encontros. Mal acabara a leitura e percebeu que alguém se aproximava, ocupando um lugar ao seu lado. Mal podia acreditar em seus olhos ao ver Gabriel ali, ao seu lado. Como era possível?
Chegou sozinho e em silêncio, apenas ocupou um lugar e lá permaneceu. Anna sentia seu coração pulsar intensamente. Uma espécie de calafrio percorria seu corpo. Sentiu-se até culpada por tudo aquilo no meio de uma reunião religiosa, mas preferiu acreditar que seria uma providência divina, e como era divina... O perfume de Gabriel inebriava, Anna sentia-se até atordoada com aquela fragrância única e indescritível, chegara a fechar os olhos para sentir melhor sem que qualquer outra coisa atrapalhasse aquele prazer. Parecia sentir o calor que  emanava do corpo de Gabriel.
O que se seguiu naquele encontro, Anna não saberia dizer, pois ficou totalmente envolvida por aquele ser que estava ao seu lado, tão perto e tão longe... Não imaginava vê-lo tão cedo. Gabriel estava lindo. Vestia um jeans muito claro com uma camisa de listras finas, com as mangas enroladas até pouco abaixo do cotovelo, e um cinto da mesma cor do sapato, ambos marrons escuros. Era, certamente, a visão de um deus grego, perfeitamente entalhado em Carrara. Por sorte, estavam todos tão concentrados nos comentários que Anna e as amigas prepararam carinhosamente naquela tarde, que ninguém percebeu o estado avassalado de Anna, exceto, claro, a amiga Julia, que estava na posição oposta à Anna e, sabendo de sua paixão, não pode deixar de observá-la após a chegada de seu suposto príncipe e, percebendo o que se passava, despertou Anna chamando-a pelo nome, perguntando-lhe se queria fazer algum outro comentário.
- Não! Acho que já foi dito tudo. Foi a resposta decidida de Anna, como se estivesse totalmente inteirado do assunto.
- Sendo assim, podemos passar agora para a nossa oração final. Disse Mariane, que ficara responsável por conduzir aquele momento.
Foi, então, que Anna percebeu que já faziam ao menos vinte minutos que ela estava fora de si, embebecida pela presença de Gabriel. Mas antes que pudessem iniciar qualquer oração, de forma espontânea e inesperada, Julia disse alto, cortando a vós da Mariane.
- Virem-se de frente para a pessoa que está ao seu lado e peguem nas mãos.
Naquela hora, o coração de Anna parou de bater, a boca secou e começou a sentir as mãos suarem frio. Não fora aquilo que prepararam durante a tarde. Não compreendia o que estava acontecendo e, para piorar a situação, quando olhou à sua direita, encontrou as costas de Paula, uma amiga. Não lhe restara, portanto, alternativa. Virou-se para a esquerda e deparou-se com duas mãos estendidas para si como se em uma verdadeira oferta. Segurou nas mãos de Gabriel e teve a sensação de que o chão saíra debaixo de seus pés. Eram as mãos mais quentes e suaves que já segurara. Fez o possível para disfarçar sua alegria àquele toque.
Mariane conduziu a oração como o planejado, o problema era que Anna já sabia como terminaria, só não esperava que estivesse frente a frente com Gabriel. Desejou que aquele momento durasse para sempre, mas ao mesmo tempo, queria que acabasse logo, porque estava sendo muito difícil enfrentar todos aqueles sentimentos ali, dentro da igreja, não sabia se estava sendo abençoada ou se estava cometendo um grande pecado. E assim terminou a oração:
- Olhe para o amigo que está em sua frente e diga: eu te amo porque você é um filho de Deus.
Muitas foram as vozes ouvidas ao mesmo tempo, menos a de Anna, que não foi capaz de olhar para Gabriel, tampouco dizer aquelas simples palavras que ajudara a pensar naquela mesma tarde. Teve a impressão de ouvi-lo dizer algo, mas faltou coragem para olhar em seus lábios e entender o que dizia. O encontro acabou com o famoso abraço da paz. O melhor abraço que sentira em sua vida. Aqueles braços fortes em torno de si, os corpos muito próximos, podendo sentir o calor de Gabriel. Seu coração disparado como um cavalo vencendo uma corrida. Soltaram-se e foram cumprimentar os demais.

Ele estava ali, era a oportunidade que Anna precisava para conversar e saber um pouco mais daquele lindo jovem que vinha fazendo parte de seus sonhos há meses, mas ela havia prometido ao pai que iria acompanhar a família em uma visita a um parente que estava de passagem pela cidade e se hospedava na casa de sua avó. Por essa razão, saiu rapidamente da igreja, pois os pais já a esperavam do lado de fora. Despediu-se apenas de Julia, que não acreditava no que a amiga estava fazendo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (parte V)


Incríveis descobertas

Aquela semana não foi das melhores para Anna. Algum tempo sem ver Gabriel parecia tê-lo apagado de sua memória, mas vê-lo novamente serviu, apenas, para mostrar-lhe que, de fato, estava apaixonada. Não tinha sido uma simples paquera de um garoto bonito. Havia algo mais. Havia algo dentro de Anna dizendo que aquele era o garoto ideal. Mas com namorada? Nem pensar! Nunca se imaginara na situação de “roubar” o namorado de alguém.
Sonhava com Gabriel. Via-se, durante o dia, imaginando como seria o toque de sua mão, o perfume que exalaria, o sabor de um beijo... Ainda eram bastante jovens, não sabia ao certo, mas Julia lhe dissera que ele tinha, também, vinte anos. Então, talvez, fosse necessário dar tempo ao tempo. Quem sabe um dia...
Passaram-se duas semanas sem que Anna visse Gabriel. Nem ele, nem Letícia. Provavelmente haviam desistido de participar de algo tão religioso. Anna não se lembrava de tê-los visto antes na igreja, mas sendo tão grande o local, não se vê todo o mundo mesmo.
Naquele domingo, haveria um grande encontro da juventude, reunindo as paróquias de sua cidade e, claro, Anna iria com suas amigas. Combinaram às 7h30 na casa da Mariane, pois era a que ficava mais próximo do local do evento e, assim, poderiam ir caminhando.
Anna chegou cinco minutos antes, como era de costume. E, aos poucos, as outras oito que iriam juntas chegaram, mas chegou ainda uma nona pessoa: Letícia.
- Você sabia que ela iria? Indagou Anna a Julia.
- Não. Mas há algum problema nisso?
- Não. Só espero que aquela-pessoa não vá também...
Não foi.
Seguiram juntas, numa caminhada de quinze minutos até o recinto do encontro. Era um espaço de eventos que havia na cidade, com um amplo gramado, muito bem cuidado, áreas de asfalto onde se podia andar de bicicleta em dias comuns, sem evento, e infraestrutura de água e banheiros. Era o local perfeito para grandes encontros e festas comunitárias.
Encontraram lá outros amigos, tanto de seu grupo, como os de outros grupos que conheciam na cidade. Passaram uma ótima manhã, cantando e louvando a Deus. Era uma das atividades favoritas das amigas. E poder ver milhares de jovens reunidos pela mesma razão era sempre muito bom. Já estavam saindo do local para voltarem a suas casas, quando Anna viu Gabriel, um pouco distante, com amigos que ela não conhecia, pareciam ser um pouco mais velhos que ela. seu coração disparou. Anna sentia-se estranha, nunca experimentara aquele sentimento ao mesmo tempo bom e perturbador. Imaginando que ele viria ao encontro de Letícia, ficou preocupada, não sabia como reagir diante de tal situação. Tudo aquilo era muito estranho para ela. Mas para sua surpresa, foi apenas um aceno de mão, de longe, e bem geral, daqueles que servem para todos os presentes. Todos retribuíram e seguiram seu caminho, cada grupo em uma direção.
Todas conversavam animadamente, exceto Letícia, que se limitava a rir das piadas e Anna que nada dizia, refletindo sobre o ocorrido. Cinco minutos foi o máximo que ela aguentou sem fazer perguntas. Não podia mais se conter. Aproximou-se de Letícia e, como quem não quer nada, perguntou:
- O Gabriel não quis ficar com você, por vergonha de nós?
- Não. Houve uma breve pausa que deixou Anna arrependida de ter perguntado. - É que não estamos mais juntos. Acho que ele achou indelicado ficar muito perto. Respondeu Letícia com tanta educação que fez Anna sentir remorso por não ter conversado antes com ela, ou ter tentado ser sua amiga.
- Ah, desculpa! Tratou logo de dizer. – Eu não sabia... Faz tempo?
- Duas semanas.
A curiosidade era demais. Agora que começara, não podia mais parar, queria saber mais. Tudo o que fosse possível.
- Mas o que houve? Vocês pareciam bem.
- Ah, sei lá. Acho que a gente se confundiu. Achou que era amor, mas não era. O Gabriel é um cara bem legal, educado, mas ele é muito diferente de mim. A gente achou que era melhor cada um seguir seu caminho.
Agora o coração de Anna queria saltar de sua boca. Deveria ter parado alí a conversa, porque já começara a suar frio, logo gaguejaria, mas precisava de mais informações.
- Por que diferentes?
Letícia, sem qualquer pergunta, ou desconfiança, como se num desabafo, explicou.
- Ele é muito sério. Do tipo que tem que apresentar a namorada pros pais. E eu ainda não tô a fim disso. Além disso, eu adoro balada, e ele prefere jantarzinho a dois... A gente ficou muito pouco junto. Um mês só. Melhor assim.
- É mesmo. Anna quis morrer por aquele comentário. Como podia ser tão indelicada? Até egoísta? Mas era exatamente o que estava sentindo. Contudo, tratou logo de emendar-se. – Quero dizer, se vocês não combinavam é melhor assim, não é?!
- É.
- Mas você vai ficar bem.
Outra piada da Giulia e todas riram muito, inclusive Anna, que não ouvira a estória, mas precisa sair daquela conversa antes que revelasse o óbvio.
Chegaram à casa de Mariane e cada uma tomou seu caminho.
Anna voltou para casa, não sabe bem como, talvez o carro soubesse o caminho, pois estava perdida em pensamentos incríveis. Gabriel não namorava mais: caminho livre. Ele era do tipo que quer relacionamento sério: inacreditável. Ele era gentil e educado: isso ela já havia percebido. Mas como chegar até ele? Como dizer tudo o que ela sentia? E ela podia fazer isso? Afinal, ele acabara de sair de um relacionamento, e se Letícia ainda gostasse dele e só estivesse escondendo para não admitir um fora? A cabeça de Anna estava a mil. Mas uma coisa era certa: ele estava livre.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (parte IV)



(O reencontro)

Era aniversário da Anna. Vinte anos. Ótimo motivo para comemorar. E foi o que Julia fez. Convocou os amigos para uma festa surpresa. Ela sabia que amiga não era muito fã de festas surpresa, mas, mesmo assim, decidiu que a amiga merecia uma festa e como ela não queria fazer, Julia fez.
O convite aos amigos foi por telefone. Ligou para alguns e pediu ajuda.
- Isabella, você pode me ajudar a organizar uma festa surpresa pra Anna? Vinte anos não podem passar sem festa, concorda?
- Com certeza! Onde vai ser?
- Na casa da Mariane. Os pais delas liberaram e lá tem mais espaço. Sábado, depois do encontro, ok?
- Beleza. Já avisou as meninas.
- Já, mas faltam algumas, pode me ajudar?
- Deixa comigo, Julia. Pra quem devo ligar?
- Pra Gabi, pra Giulia, pra Luiza e pra Karina. Assim acho que toda a galera fica avisada.
- Falou.
E assim a festa se organizou.
Essa galera frequentava um grupo de jovens que se reunia todos os sábados após a missa. Liam o evangelho, discutiam o texto bíblico contextualizando a vida atual com aquele ensinamento, faziam lindas orações e cantavam em louvor a Deus. Durava cerca de uma hora esses encontros e depois costumavam sair juntos para diferentes destinos, alguns eram a casa de alguém do grupo para comer pipoca ou pizza e gastar algumas horas em boa companhia com boa conversa. Assim, seria fácil convencer Anna a ir até a casa da amiga para comer pizza...
Tudo correu como o planejado. Anna mal chegara ao local do encontro e já recebera os cumprimentos de todos pelo seu aniversário, além de ouvir muitas reclamações por não ter preparado uma festa. Logo, então, alguém sugeriu:
- Por que não vamos pra minha casa comer pizza? Não vai ter bolo, nem brigadeiro, mas podemos jogar conversa fora até tarde.
- Assim, tudo bem. Só preciso avisar meu pai, porque hoje vim de carro...
Anna poucas vezes saía dirigindo. O pai achava muito perigoso que ela dirigisse, sozinha, à noite. Preferia buscá-la, não importava onde fosse. Mas, naquele dia, Anna conseguiu convencer o pai de que merecia sair com carro, como um presente de aniversário. E, como o pai já sabia da festa, tratou logo de concordar com a filha, fazendo inúmeras recomendações, como era costume, para garantir que ela não desconfiasse de sua permissão tão repentina.
Durante o telefonema, o pai manteve a postura de fazer milhares de ressalvas sobre os perigos de se dirigir à noite, assim, Anna continuou não desconfiando de nada.
O encontro corria muito bem, mas, eis que surgiu alguém que Anna não via há vários meses. Gabriel estava no grupo... Como assim? Ela já frequentava aquele grupo há dois anos e nunca o vira ali. O coração de Anna batia tão forte, que teve medo que ele pulasse para fora de seu peito. Mas ele estava acompanhado... Gabriel chegara acompanhado de Letícia, uma garota um pouco mais nova que Anna, que morava perto da casa de Julia. Elas não tinham muita amizade, mas sabia que a menina era amiga da Luiza, e que tinha muitos problemas com a família. Fazia tempo que Luiza tentava levá-la para o grupo, com a intenção de ajudar, mas Letícia sempre recusava o convite. Por que justo naquele dia? E logo com quem?
Anna sentiu-se tão arrasada que mal pode ouvir as palavras dos amigos comentando o evangelho. Sentia-se, ao mesmo tempo, decepcionada e culpada. Nunca em sua vida se apaixonara por alguém comprometido. Não conseguia entender o que estava acontecendo consigo. Era impossível desviar seus pensamentos daquele garoto tão lindo e simpático. Com aquele sorriso que encantaria a qualquer pessoa. Mas ele estava acompanhado... Aquela deveria ser a tal namorada de que Julia falara. Mas Anna ia com tanta frequência à casa da amiga, via Letícia, como nunca vira Gabriel por ali? Nenhum sábado, domingo? Os sessenta minutos do encontro se passaram como seis. Anna, perdida em seus pensamentos, chegou a assustar-se quando recebeu o primeiro abraço de paz. Era assim que os encontros terminavam, todos se abraçando e desejando a paz.
Era hora de ir para a casa da Mariane. Que bom. Assim não teria que continuar vendo Gabriel. E, como dizia a mãe, o que os olhos não veem o coração não sente. Grande mentira! Sente, mas sente menos...
- Julia, essa é a namorada de que falou? Quis saber Anna tão logo quanto a amiga se aproximou dela, apontando para Letícia, sem nem perceber o que fazia.
- Ah! Não. Ele terminou com aquela namorada. Está saindo com a Lê faz, sei lá, duas semanas. Mas... Por quê a curiosidade? Cê tá gostando dele?!
- Não. Só perguntei por perguntar.
- Anna, cê acha mesmo que consegue me enganar?
- Julia. Se você falar sobre isso com alguém, eu te mato! Entendeu? Mato!
- Amiga, pode confiar. Mas, então, o que a gente pode fazer?
- Nada! Não vamos fazer nada! Entendeu, Julia? Deixe os dois em paz.
- Tá. Se você quer assim...
Foram para a casa da Mariane. Anna aproveitou e levou três amigas em seu carro. Para sua felicidade, Gabriel não foi.
Entraram como se fosse mais uma pizzada comum. Mas, quando todos estavam em seus lugares, eis que a mãe da Mariane chega com um bolo cantando parabéns.
Anna olhava os amigos sem saber o que dizer. Odiava festa surpresa, mas amava os amigos. Era o dia das contradições. Sem alternativa, soprou as velas. Vinte, todas azuis, sua cor favorita, e agradeceu aos amigos pelo carinho.
A noite foi ótima. Tinha pizza de verdade. Mas também brigadeiro, cajuzinho e bala de gelatina... Voltou para casa já passava da meia-noite. Estava feliz pela festa, pela companhia dos amigos, mas não parava de pensar em Gabriel.

Anna chegara a pensar que tivesse esquecido o garoto, mas vê-lo fez perceber que na verdade havia um sentimento em si muito maior do que imaginava. Algo que nunca sentira por ninguém. Jamais havia sentido aquele aperto na boca do estômago, não por causa de um garoto. Como explicar aquilo? Suas pernas ficaram trêmulas ao vê-lo, sua boca secara, como se não houvesse mais saliva, sentira um calafrio correr todo seu corpo e continuar ali por longos minutos. Seria amor? Ou o quê? E ele acompanhado... Outra namorada... Será que ele era do tipo que sai com todas? Fica com uma por mês? Mas Julia lhe garantira que Gabriel tinha namorado por vários meses a anterior. Pegar no sono aquela noite foi cruel. O relógio já marcava duas horas e Anna estava ainda acordada. Finalmente adormeceu...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (parte III)


 (O sonho)

Sabrina era o nome da irmã mais nova do pai de Anna. Tão mais nova, que era chamada pelos irmãos mais velhos de Nenê. Apelido que ela passou a detestar logo depois de completar doze anos. Como seria receber seus amigos em casa e permitir que eles ouvissem chamá-la de Nenê? Ela certamente se tornaria motivo de piada, afinal, se tem uma coisa que adolescente faz bem é piada dos amigos. Sabrina era tão brava que trataram logo de abandonar o apelido de Nenê, mas continuaram chamando-a de Nê, e esse não teve jeito. Quanto mais Sabrina brigava, mais se fixava o apelido, até que a menina desistiu de brigar. Mas nunca explicava a razão do apelido, dizia sempre que era coisa dos irmãos mais velhos e chatos que ela tinha.
Nê era ainda criança quando Anna, a sobrinha mais velha, nasceu. Elas chegaram a brincar de bonecas juntas. Nê passava longas horas na casa do irmão só para poder ficar com a menininha que ela cuidava como de uma boneca preciosa. Por isso, Anna tinha nessa tia uma espécie de irmã mais velha. E Nê gostava disso. Se ia a casa de amigos, Anna ia junto. Levava-a para passear, tomar sorvete, dava-lhe conselhos, lia para ela histórias lindas, mesmo antes de Anna conhecer as letras.
Os anos foram passando e o laço entre as duas só aumentava. Até que um dia Sabrina apareceu com um namorado. Em princípio, Anna odiou a ideia. Teve vontade de mandá-lo embora, dizer coisas feias para assustá-lo e “pegar” sua tia de volta. Mas era muito educada para isso. Não fez nada. Aliás, fez. Foi tão gentil com o rapaz, que ele passou a gostar da presença de Anna. E assim, mesmo com o namorado, Nê continuava levando Anna para alguns passeios.
Os anos se passaram, o namoro virou noivado, e marcaram a data do casamento. Anna tinha nessa época 14 anos e acompanhou a tia em todos os preparativos. Até na escolha do vestido, Anna estava lá, palpitando... Sabia qual seria a decoração da festa, o sabor e formato do bolo, as músicas da cerimônia e o destino da lua-de-mel.
Àquela época, lua-de-mel parecia, para Anna, a viagem perfeita, com a pessoa perfeita, para o lugar perfeito. O feliz desfecho para um lindo romance aos moldes de “A Moreninha”, embora ainda não conhecesse o livro. A maioria dos livros que lera, até então, da tia Nê, acabavam em um lindo casamento, com um festa maravilhosa, mas nunca citavam lua-de-mel. Contudo, para aquela menina sonhadora, se era o desfecho do casamento, tinha que ser perfeito!
Ficou tanto tempo pensando na viagem da tia, que acabou, certa noite, sonhando que estava viajando com a tia, e o tio, em sua lua-de-mel. Mas, não fora sozinha, tinha um acompanhante... Gabriel era o nome do “suposto” marido de Anna. Suposto porque Anna sequer tinha um namorado. Ainda que quisesse, o pai não permitiria...
Enfim, voltemos ao sonho. Parecia a viagem perfeita. O lugar era paradisíaco, com lindas praias e coqueiros à beira mar. E Gabriel era como um anjo... Lindo. Tinha olhos que inebriavam, um sorriso que dava vontade de beijar. Anna já tinha sido beijada, mas não gostou da experiência, achou aquilo muito molhado, uma língua que tentava entrar em sua boca, era muito estranho e nada saboroso. Foi decepcionante. Desistiu do garoto e do beijo. Mas o beijo do tal Gabriel era diferente, saboroso, delicado. Era, talvez, o beijo como Anna sonhava...
Acordou lembrando o sonho. Achou engraçado. Quem levaria outra pessoa para sua própria lua-de-mel? Que loucura! Só mesmo a cabecinha maluca daquela menina.
Mas algo a intrigava: quem era Gabriel??? Anna não conhecia ninguém com esse nome. Com exceção de um primo, mais novo e muito chato. Mas este ela conhecia muito bem e, com certeza, não era o de seu sonho. Não tinha os mesmo olhos, nem o mesmo sorriso. E Anna sabia que jamais viajaria com aquele primo, namorá-lo, então, nem no pior dos pesadelos. Então, quem seria aquele lindo jovem de seu sonho?
Contou o sonho apenas para a tia Nê. Era a única pessoa com sensibilidade suficiente para ouvi-la, sem julgá-la. A tia disse apenas que ela soubesse esperar.
- Gabriel é nome de anjo. Quem sabe o seu está por aí, a sua procura? Almas gêmeas se procuram até se encontrarem... Podem levar anos, talvez o nome seja outro, mas se for a sua metade, vai te encontrar, eu tenho certeza.
 Anna pensou naquele sonho por anos. Até que o abandonou. Nenhum anjo aparecera em sua vida. Apenas os sapos de que já falamos antes.
Cinco anos depois, caso esquecido, eis um Gabriel...
- Será possível? Pensava Anna já na cama. – Não. São apenas coincidências...
O problema é que Anna não acreditava em coincidências. Acreditava que sua história já estava escrita em uma espécie de “livro da vida”, o qual registrava tudo que aconteceria em sua vida desde seu nascimento até sua morte. Então, talvez, aquele sonho tivesse sido uma premonição... Não! Basta!
Mesmo não querendo mais fazer associações, Anna pensou no Gabriel real por muito tempo. Mas durante vários meses não o vira mais. O que teria acontecido?

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (Parte II)

(Quem é ele?)

Os dias pareciam sempre iguais. Anna levantava cedo e ia para a escola, à noite para a escola, estudava inglês e espanhol, fim de semana servia para estudar, pôr os trabalhos e leituras em dia, além, é claro, de passar algum tempo com os pais e irmãos. Moravam em uma bela casa, com um imenso quintal, cheio de plantas, árvores, pássaros, que viviam soltos na natureza daquele lugar tranquilo.
Seu pai sempre fora muito presente, daqueles que quer saber tudo que se passa com os filhos, chegava, às vezes, a ser inconveniente com suas perguntas sobre o fim de semana, a escola, os amigos, os paqueras... Tentava até arriscar como fora a festa:
- Você está com cara de quem dançou muito, mas não beijou ninguém.
- Pai! Reclamava Anna. – Esse não é o tipo de conversa que quero ter com você.
A mãe era mais discreta. Não fazia comentários, a menos que fossem solicitados, mas sempre sabia as palavras certas nas horas mais difíceis. Dissera certa vez que ninguém poderia ser mais importante que seus filhos e que o melhor marido seria aquele que entendesse a sensibilidade de uma mulher, a ponto de amá-la incondicionalmente e viver todos os dias da vida tentando fazê-la mais feliz. E que a melhor esposa era aquela que soubesse ser companheira em todas as horas, ouvir mesmo sem compreender, e ter o abraço mais carinhoso quando as dificuldades chegassem.
A casa era o lugar preferido de Anna. Ainda mais naquela época, sem namorado, sem amor, sem vontade de se envolver com alguém. Estudar era seu foco, então, o melhor mesmo, era poder ficar no sossego de seu quarto lendo ou escrevendo. Fossem trabalhos para a escola, ou anotações sem importância que falassem de si mesma.
Poucas pessoas conseguiam tirá-la de seu refúgio. Dentre elas, Julia, uma amiga querida que a entendia como ninguém. Estava sempre pronta a ajudar e fazer festa era com ela mesma. Dizia que não há tristeza que não se rendesse a uma boa festa... E foi assim que Julia conseguiu fazer Anna deixar seu mundinho e sair um pouco para se divertir.
Era sexta-feira, primeira semana de férias, nenhum compromisso além de descansar e ler, mas um telefonema mudou seus planos para aquela noite:
- Anna, é a Julia. Está pronta para uma mega festa esta noite?
- Oi, Julia. Pra ser franca, eu pretendia terminar a leitura de um livro...
- Sem chance! Vai rolar uma festa de mulheres aqui em casa. Meus pais têm um compromisso que vai até às onze e meu irmão vai pra casa da nossa vó. Casa livre!
- Já confirmou com as meninas? Quis saber Anna esperando ouvir um sim, daqueles bem grandes, como era a cara de Julia. Mas para sua surpresa...
- Não! Nós vamos fazer isso juntas! Aliás, vamos também comprar os ingredientes.
- Ingredientes...???
- É. Vamos fazer hot dog e beber um pouquinho...
- Julia, eu não bebo, lembra?
- Ah, é mesmo. Mas vai comigo mesmo assim.
Eram ainda nove horas da manhã, e Anna não estava pronta para sair da cama, mas sabia que não adiantaria recusar: se não se levantasse e fosse ao encontro da amiga, esta estaria ali em menos de meia-hora. Então, o melhor mesmo era levantar e seguir para a casa de Julia. Assim fez. Combinou que chegaria em quarenta minutos, mas demorou uma hora. Era impossível para Anna sair de casa antes que fosse cumprido um ritual diário.
Moravam em um bairro privilegiado, tinha tudo por perto. Mercado, padaria, lojas... Tão perto que faziam tudo a pé, tempo perfeito para colocar a conversa, e as fofocas, em dia. Aquele seria mais um dia comum, de festa, na casa da Julia. Eram 12 meninas, entre 18 e 21 anos. Conheciam-se há tanto tempo, que os pais nunca se importavam que ficassem umas na casa das outras e, por isso, Julia se encarregava de organizar festas todos os meses, havia dois anos. Qualquer casa servia, desde que os pais estivessem ausentes... E a maioria das vezes era, mesmo, na casa da Julia.
Depois de quarenta minutos ligando para todas as amigas, lá iam as duas pelas ruas do bairro a caminho do supermercado, quando passaram por um garoto que Anna não conhecia, mas Julia sim. Pararam, Julia o cumprimentou, trocou algumas palavras com ele, que Anna definitivamente não ouviu, e seguiram. Educado, ele dissera um “oi” para Anna.
- Quem era? Quis saber Anna assim que o rapaz se afastou. Mal sabia a amiga que sua pergunta carregava mais que curiosidade. Como poderia sua grande amiga conhecer alguém que Anna nunca vira? Cujos olhos brilhavam mais que qualquer estrela do céu. Um sorriso que não se podia explicar, meigo, suave, encantador, fascinante. Sua voz parecia tocar os ouvidos com a suavidade de uma pétala de rosa. Não era possível! Ou era? Anna estava arrebatada por um jovem que nunca havia visto antes. Parecia até romance do século XVIII.
- Chama-se Gabriel.
- E... Quis mais, sem dizer muito, mas com uma expressão que a amiga conhecia bem.
- Estudamos juntos há alguns anos. Bonito ele, não?!
- Ah, é, quer dizer. É. Pareceu simpático.
- Anna, ele tem namorada...
- Ma-ma-mas eu nem me interessei – gaguejou Anna sem compreender o que estava acontecendo. Só perguntei porque você costuma apresentar as pessoas que não conheço...
- Desculpa. Te apresento da próxima vez que encontrar com ele, ok?
- Esquece.
Taí algo que já não era possível. Não sabia bem por quê, mas Anna passou o resto daquele dia, daquela semana, e das próximas, pensando naquele Gabriel. Mas ele tinha namorada, foi o que lhe dissera Julia, então era melhor achar outro motivo para seus pensamentos... Mas aqueles olhos...
Compraram tudo de que precisavam. E Anna com a cabeça nas nuvens. Voltaram para casa de Julia, anteciparam o que era possível e Anna viu que era hora de ir para sua casa. Já passava do horário do almoço e, aos sábados, todos comiam juntos em sua casa, pois era o dia que ninguém tinha outro compromisso nesse horário.
- Julia, já vou, volto às sete pra te ajudar, certo?
- Combinado. Ah, não esquece seu pijama...
- Quê???
- Não disse? Ah, desculpa. Noite do pijama. Pode deixar que aviso as meninas...
- Você não está aprontando nada, não é?!
- Claro que não! Acha que só você vai trazer o pijama?? Vão adorar a ideia!
E adoraram mesmo!
Oito horas todas estavam com seus pijamas nas mãos, doze mulheres em um quarto trocando de roupas. Uma loucura total! Tinha pijama de todas as cores, formatos e tamanhos...
Devidamente trajadas, a festa começou, ao som da Ivete Sangalo, com muito ketchup e um pouco de licor de Marula... Festa com essa galera era diversão garantida!
A metade delas namorava, a outra não. Mas namorados eram esquecidos nesses dias. Falavam sobre quase tudo, menos dos meninos. Muito riso, muita dança, até coreografia coletiva rolava. Ah, sem esquecer do concurso de pijama: o mais bonitinho, o mais colorido, o mais sem graça. Anna não levou nenhum prêmio. Melhor assim, pois sempre ficava com o menos interessante...
Já eram dez e meia quando perceberam as horas. Era hora de arrumar a bagunça. Essa era a regra para usar a casa. Em trinta minutos tudo arrumado, casa limpa, quase limpa, e pijamas desvestidos. De volta à roupa da chegada. Tocou a campainha. O pai de Anna. Como sempre, pontual. Como sempre, o primeiro.
Despedidas e casa.

Já na cama, voltou à memória de Anna aquele rosto. O que estaria acontecendo? Bastou ver Gabriel uma vez para não esquecer mais sua fisionomia, seus olhos, sua voz... Sonhou com Gabriel. O mesmo Gabriel com quem sonhara ter se casado há cinco anos, às vésperas do casamento de sua tia Nê. Seria possível? 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os príncipes existem (parte I)


(Conhecendo Anna)

Quantos sapos uma garota deve beijar até encontrar seu príncipe? Era o que Anna se perguntava toda vez que um relacionamento não dava certo. E olha que ela era exigente! Não se envolvia com qualquer um, nem saía beijando todos os garotos que achava bonitinho... Teve alguns paqueras, ficantes como se diz hoje. Dois ou três namorados. É, do tipo que se leva para casa, apresenta para a família e acha-se que é o amor-da-sua-vida...
Com dezenove anos, ela já estava cansada de se enganar. Não era pela idade, afinal, sabia que era bastante jovem, mas pela falta de escrúpulos dos garotos com que se envolvera. Para eles, os hormônios estavam sempre acima do romantismo. Pega aqui, passa a mão ali, mas um rosa, um bombom, ou mesmo um cartão bonitinho, nunca. Definitivamente, não era esse tipo de homem que ela esperava ter a seu lado.
Anna fora uma menina sonhadora, daquelas que criavam estórias de faz-de-conta e as encenava com as bonecas, além de levá-las para a escola e convencer os amigos de que fora escrita por alguém importante... Mal aprendera a ler e já estava devorando os livros. Leu de tudo, de gibis a clássicos da literatura infantil, até que conheceu a coleção da tia Nê...
Nê era a irmã caçula do pai, com apenas dez anos de diferença de Anna, apaixonada por livros românticos, colecionava os “clássicos” da banca... E Anna começou a lê-los. Primeiro um bem fininho, depois um maior, maior e chegou àqueles que se dividem em volumes. Leu “Pássaros feridos” aos treze anos, nunca contou ao pai o teor da história, certamente ele desaprovaria... Leu o mito de Édipo e Jocasta na mesma época, e assim apaixonou-se pela mitologia. Leu Sabrina, Julia, Barbara Cartland e outros folhetins românticos da década de 80, e foi imaginando como seria o amor perfeito... Aquele em que o garoto está perdidamente apaixonado, é incrivelmente romântico, faz tudo para conquistar a mocinha e ainda é o exemplo de gentileza, encanta a todos.
E desse mundo das letras, chegou ao da literatura clássica. Começou por Senhora, de José de Alencar, o clássico modelo do romantismo brasileiro: um jovem casal se ama perdidamente, mas os anti-heróis os impedem de ficar juntos, assim, sofrem horrores até que se revelam apaixonados e, depois de muito sofrimento, ficam juntos para sempre. E outros vieram depois, nem vou nomeá-los, tantos que foram, acabaria o livro apenas relatando as leituras da sonhadora Anna. Mas é preciso narrar mais uma de suas leituras...
Gostava tanto dos livros que não se limitava a ler aqueles que os professores indicavam, ou que ela própria encontrava nas estantes da biblioteca em suas buscas frequentes, lia também os livros indicados à irmã, sob o pretexto de ajudá-la com seus trabalhos. Em uma dessas “ajudas” deparou-se com “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo. Aí o que era um sonho, tornou-se um desejo: encontraria um Augusto para viver um amor por toda a vida como o da jovem Carolina...
Desde então, o namorado que Anna esperava encontrar era alguém que pudesse ser como Augusto, o jovem que esperou anos por encontrar a doce amada cujo nome não sabia, mas de quem nunca esquecera, desde uma tarde brincando à beira mar...

Na época em que lera o romance, já tinha um namoradinho e, claro, contou-lhe sobre a linda história de amor de Carolina e Augusto, assim como houvera contado sobre outras lindas histórias apaixonadas que lera. Mas, para sua decepção, ouviu aquele jovem mancebo – só mesmo Anna usaria essa palavra em fins do século XX – dizer-lhe que o homem que Anna procurava existia apenas nos livros que ela lia, que na vida real tudo era diferente. Foi o bastante para Anna, ainda bastante jovem, decidir que aquele não era, certamente, a pessoa com que compartilharia sua vida. Deixou-o. E continuou sua busca, mas agora mais exigente! Chega de sapos! Deve haver um príncipe me esperando em algum lugar... 

Se precisar de alguma coisa...

Meus alunos dizem que eu odeio a palavra “coisa”, e eles têm razão. Mas a odeio apenas nos textos formais, aqueles em que precisamos mostrar todo nosso domínio da norma culta, como é o caso dos textos que eles escrevem para que eu corrija. Contudo há situações em que “coisa” é mesmo a melhor palavra a ser usada, seja porque pode significar tudo, seja por significar nada...
Neste caso, especificamente, quero que signifique tudo. Tudo mesmo!
Sabe aquela situação que enfrentamos em nossas vidas e que nada do que digam ou façam seria capaz de amenizar nossa dor ou nos ajudar? É nessa hora que um simples “se precisar de alguma coisa” faz toda a diferença. Mesmo sabendo que nada poderia ser feito, o simples fato de ouvir essas palavras mostra-nos o quanto somos queridos, e mais, o quanto quem as proferiu nos quer bem... Mostra-nos que temos amigos sinceros, que não sabem o que fazer para diminuir nossa dor, mas querem que saibamos que eles estão lá, para o que precisarmos.
Enfrentei algo bastante difícil recentemente (meus amigos sabem...) e cada vez que eu ouvia uma voz, ou lia uma mensagem dizendo “se precisar de alguma coisa, pode pedir” meu coração se alegrava, pois me sentia amada, acalentada. Era como se aquelas pessoas me dissessem “estou sentido sua dor” e, mesmo que não acreditem, estavam. Porque quando alguém que amamos padece, padecemos junto.
Vivemos num mundo cercado pelo egoísmo, cada pessoa cuida da sua vida, preocupa-se com o seu “mundinho”. Isso é verdade. Mas acredito que é nas horas mais difíceis que os verdadeiros amores se manifestam. Amor doação, aquele que não espera nada em troca, apenas doa... O amor que oferecemos às pessoas quando elas precisam de nós.
Sei que a cada dia está mais difícil estar junto de pessoas queridas, afinal, as tarefas e compromissos da vida moderna nos separam, infelizmente. Mas quando alguém precisa de nós e encontramos um minuto para dizer “se precisar de alguma coisa” é o bastante para mostrar que nos importamos, e isso faz toda a diferença.
Precisamos estar mais atentos àqueles que nos rodeiam, e saber quando algumas poucas palavras nossas são tudo de que o outro precisa... Já dizia Louis Armstrong: “I see friends shaking hands, saying how do you do? They’re really saying, I love you.” *
E assim chego à conclusão de que “se precisar de alguma coisa” significa: estou aqui e posso sentir sua dor, mas quero que você sinta o meu amor!

Obrigada.

*vejo amigos apertando as mãos, dizendo como vai? Eles, na verdade, estão dizendo Eu te amo"