domingo, 19 de fevereiro de 2012

Carnaval

Houve um tempo em que carnaval era festa cristã, repleta de significados que envolviam a família e as crenças em um Deus que sofreu pela libertação de seu povo. A festa continua repleta de significados, mas já não são os mesmos: hoje é desculpa para mostrar o corpo, beber, ultrapassar os limites da moral.
Não quero ser puritana, mas creio na importância dos limites, afinal somos indivíduos que merecem respeito, e que tipo de respeito esperamos quando nossas atitudes extrapolam as espectativas de uma sociedade que pretende educar. Penso que educar, nesse caso, é justamente apontar os limites: mostrar nosso corpo àqueles que amamos verdadeiramente; beber para apreciar e não para depreciar; fazer festa para comemorar, não para abusar.
Há uma distinção entre liberdade e libertinagem, a primeira nos permite agir até que o nosso direito não fira o do outro; o segundo, nos tira esse discernimento. Fico pensando no que as crianças que veem essa festa e seus participantes pensam, quando o pai diz que não ela não deve usar uma saia muito curta, ou uma blusa tão justa (eles ainda falam essas coisas?). Como convencer um filho sobre essas atitudes, se eles veem pessoas semi-nuas na televisão e milhares aplaudindo.
Como mãe, farei o possível para mostrar à minha filha o valor que ela tem, mas sei que ela conviverá com pessoas que não terão os mesmos valores que ela, e o que fazer? Proibir suas amizades? Não. Orientá-la bem para que ela seja exigente em suas escolhas. E quando ela quiser ir ao carnaval? Bem orientada, que vá, e tire suas próprias conclusões, como fiz anos atrás, quando pedi a meus pais para ir a um baile desses. Sua reação não foi das melhores, mas consentiram. Fui com minha irmã e amigas. A festa estava ótima, dançamos muito e nos divertimos, mas vimos situações, as quais não quero ver mais.
Meninas que se "esfregavam" em garotos desconhecidos, meninos bebendo loucamente, como se álcool fosse água, e a pior delas: um garoto sendo retirado da festa, carregado por paramédico com overdose, fico me perguntando como ele estará hoje...
Ninguém precisou dizer nada a respeito, nunca mais quis ir a um baile desses.
Que pena, pois acho a festa linda, tem um ritmo contagiante, mas nem todos conseguem curtir sem exagerar, então fico em casa, com minha família e fazemos nossa festa à parte. Espero que um dia aquele espírito de família seja resgatado e possamos novamente levar nossos filhos à essas festas sem medo do que possam ver.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ser mãe ou profissional?

Muitas vezes encontro mães amigas que se deparam com esta pergunta: ser mãe ou profissional? Também já me encontrei com essa dúvida, e sempre digo a elas como resolvi o impasse: Ser as Duas!
Quem foi que disse que para ser uma boa mãe não se pode ser uma boa profissional? Ninguém com sabedoria divina diria tal sandice. Ao contrário, sábios diriam que ambas são funções divinas e que podem conviver ser conflito. É preciso, apenas, saber dosar ambas; saber o momento de ceder espaço de uma para outra; reconhecer a hora de diminuir as exigências sobre si mesma. Trata-se de um processo contínuo de adaptação, que mudará à medida que as necessidades de uma ou outra surgirem, mas, acima de tudo, à proporção que aprendemos a lidar com elas.
Houve um tempo em que ser mãe sequer fazia parte da minha lista de projetos e objetivos para a vida, naquela época dei o melhor de mim para me tornar uma grande profissional: talentosa, dedicada e sempre inteirada sobre todos os assuntos que envolviam a minha carreira como professora. Assim, quando a palavra mãe surgiu, então, no meu vocabulário, eu pude dedicar-me intensamente a essa maravilhosa jornada que nunca finda. E o melhor, não precisei deixar de lado meus projetos profissionais, porque esses não podem findar também, ou o meu trabalho perderia o sentido.
Ter me dedicado com tanto afinco ao trabalho antes de ser mãe, garantiu-me a experiência e o conhecimento necessários para agora desenvolver bem o meu trabalho, sempre me atualizando, mas sem mais a ânsia de saber tudo, agora com a disposição de aprender sempre. Mudou o foco; não a direção. Continuo trabalhando para ser uma profissional competente, mas hoje posso me dar o direito de reservar tempo para minha família, pois em épocas oportunas aproveitei todas as oportunidades para aprender além de minhas necessidades daquele momento.
Quando me tornei mãe, comecei a ver o mundo com outros olhos, pois a imagem da minha filha está sempre entre mim e o que vejo, e essa imagem tem o poder de me sensibilizar diante das mais adversas situações: vejo meus alunos como pessoas em desenvolvimento, que erram porque anseiam aprender; vejo meus semelhantes como pessoas que buscam excelência, como eu, mas cada um a seu modo; vejo minha vida como a melhor, muito melhor do que eu poderia imaginar. Gosto de parafrasear Jorge Amado: Deus me deu muito mais do que ousei pedir...
A cada dia, quando me levanto para o trabalho, agradeço a esse Deus maravilhoso que me permitiu ser mãe e profissional. Agradeço pela minha família de casa e pela do trabalho, pois é assim que vejo aquelas pessoas com quem aprendo todos os dias. Agradeço porque minha filha está crescendo, e a cada dia me ensina algo novo: ser paciente e esperar o momento certo de cada coisa é um desses ensinamentos. E peço a Deus que me permita saber ensinar à minha filha a importância que ser sua mãe e uma profissional têm em minha vida.
Posso dizer que seja fácil? Definitivamente, não. Mas é possível. Com um pouco de dedicação, amor por quem somos e fazemos, amor por aqueles para quem escolhemos viver. Costumo dizer que cada vez que me acostumo ao meu novo ritmo devido às mudanças de fases de minha filha, ela cresce mais um pouco e o processo de adaptação recomeça. Às vezes tenho a sensação de que essa adaptação nunca acabará, mas qual é o problemas? Nossa vida é assim: um barco que vai pelo oceano sempre em busca de um cais, e se for necessário, mudamos o sentido das velas, mas nunca o destino.
Para mim, o grande problema é não poder se adaptar às mudanças; eu posso! E me adaptarei tanto quanto for necessário, para manter meus títulos: Mãe e Profissional. E, se houver uma pedra no meio do caminho, abaixo-me e a retiro para poder continuar; se não puder retirá-la? Então farei dela parte de minha história, seja como degrau, banco ou lembrança, mas nunca um obstáculo intransponível.
Mães: se desejam ser profissionais, sejam! Mas sejam completas em ambos os momentos, nunca metade. E, justiça seja feita: eu não teria tanta determinação se não fosse pelo meu bom esposo, que me ama, conforta e apoia em todas as minhas decisões. Se você não puder ter esse companheiro leal, eleja outra pessoa para ser seu amparo nos momentos de dúvida, mas alguém leal o suficiente para te dizer: vá! Você consegue.
Por hora, Vá! Eu sei que você consegue!