segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Discurso 2012


Prezados pais, direção, colegas professores, bom dia. É com alegria que lhes peço licença para dirigir-me aos alunos. Em especial aos formandos do 3º. Ano B, que carinhosamente me convidaram a ser paraninfo da turma, mas não menos importantes, volto-me também aos demais formandos do 3º. Ano A, com quem também tenho trabalhado há alguns anos e aos do 9º. Ano, que tive o prazer de conhecer em 2012, mas conviveremos por vários outros. Bom dia, queridos alunos.
Não posso ignorar minha felicidade ao receber esse convite, surpresa, eu diria sempre, porque colher os frutos de nosso trabalho é sempre gratificante, ainda mais quando ele vem como reconhecimento por tudo que fazemos, afinal, ser professor é mais que ensinar um conteúdo trazido nos livros, é levar o discípulo a encontrar o que estava escondido nas entrelinhas daquela lição.
Lembro-me, ainda, de quando entrei na sala do 9º. Ano de 2009, olhinhos assustados querendo saber quem era aquela professora séria... lembram-se? Fomos nos conhecendo aos poucos. Quem gosta de quê? Vamos ouvir poesia??? Como? Ah, era uma música, que surgiu de uma poesia. Para viver um grande amor preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso... Acho que levei essa história de pouco riso muito a sério, não??? Mas nossa história deu certo. Entre risos e lágrimas chegamos aqui e daqui seguiremos até onde nossos passos nos conduzam.
Vivemos momentos interessantes, grandes descobertas, para vocês e para mim. O projeto EPTV na escola daquele ano eu jamais esquecerei. Ouvi garotinhas que me pareciam ingênuas e desinteressadas no mundo avaliar a influência da mídia em suas, não em nossas vidas, apontando o que estava errado. Fantástico! Vocês já sabiam muito mais do que eu esperava ensinar. Quem disse que mestre não aprende? Aprende e muito...
A passagem do ensino fundamental para o médio trouxe ainda mais sustos. Como era difícil olhar para vocês e não ver ainda aqueles rostinhos pedindo ajuda... Mas os meses foram passando e vocês foram revelando todo o potencial que estava guardado, esperando para ser despertado.
Foram grandes as discussões diante das provas e dos textos, nem sempre tão bons... Entretanto, observar suas argumentações e posturas diante de fatos que não aceitavam, foi determinante para mostrar-me em que estava acertando ou errando. Errando... vocês me disseram sobre quanto eu mudei... Que bom, porque o homem que espera entrar duas vezes no mesmo rio, já perdeu a oportunidade de ser melhor.
Quero continuar mudando dia-a-dia, buscando ser sempre uma pessoa melhor que no dia anterior. E é isso que desejo a vocês, continuem mudando, para melhor. Busquem as oportunidades que poderão contribuir para esse crescimento. Acreditem em seus sonhos e lutem por realizá-los, mas não se esqueçam, jamais, que precisamos das pessoas que estão ao nosso redor para alcançar esses objetivos e, portanto, valorizá-las e respeitá-las é imprescindível.
Não somos iguais, pois somos únicos. Assim, alguns de vocês se destacam pelo compromisso, outros pela generosidade, outros pela honestidade e senso de justiça e, alguns por levarem o lema “let it be”, que não é tão ruim, mas não deve ser usado sempre. Contudo, juntos formaram uma grande equipe, com conquistas e derrotas, porque a vida é assim e o mais importante é aprender com ambas.
Minha amiga Luci declama, eu leio e uso da intertextualidade para fazer minhas as palavras que um poeta escreveu e um músico tornou canção:
Se você ficar triste que seja por um dia, e não um ano inteiro, e entenda que rir é bom, mas rir de tudo é desespero.
As frases das provas sempre produziam efeito sobre alguns de vocês, e acho que estas foram as mais comentadas, então vou concluir com elas:
Seja honesto, principalmente quando ninguém vê; trabalhe com dignidade, independentemente do quanto o recompensem; ame muito mais do que espera ser amado; e se parecer que apenas você é capaz desses atos, tudo bem: são eles que fazem nossa vida ser melhor que a dos outros.
E, mais uma vez, lembrem-se: O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. Este é o meu jardim, obrigada belas borboletas.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Creche de férias???


Desde a década de 60, a presença da mulher no mercado de trabalho vem aumentando ano após anos. Hoje,  já somos a maioria em vários segmentos da indústria, comércio e serviços. A participação ativa da mulher deve-se a vários fatores, dentre eles a necessidade que muitas famílias têm de complementar a renda familiar para garantir, algumas vezes luxos, mas na maioria dos casos, o sustento digno da família.
Essas mulheres veem-se diante de um grande dilema quando chegam os filhos: deixar de trabalhar para cuidar deles ou procurar um lugar seguro para deixá-los enquanto trabalham. Aquelas que trabalham pela necessidade de seus salários, muitas vezes, não podem pagar por esse lugar que cuidará de seus filhos, buscam, portanto, as creches municipais.
Conheço muitas famílias que se utilizam desse benefício para poderem trabalhar e oferecer qualidade de vida a seus rebentos, o que eu não sabia é que as creches ficam de férias! Em Americana, de dois meses!!! Qual a explicação para isso? O que justifica as creches permanecerem fechadas por dois meses? E as criança, para onde vão? Já que nem todos os pais têm férias em dezembro, pior, que durem dois meses!!!
Pensemos: se essas famílias levam seus filhos para as creches, logo não podem pagar para que alguém cuide deles; ainda, abrem mão do convívio com suas crianças, porque precisam trabalhar para garantir-lhes o sustento; assim, como farão durante esses dois meses que as creches estarão fechadas?
Ouvi no noticiário um pai dizendo que um dos dois, pai ou mãe, terá de deixar seu emprego para poder cuidar dos filhos. Num país, onde o desemprego afeta milhares de pessoas, como alguém pode abandonar o que possui?
Que os filhos são responsabilidade dos pais, para mim, é indiscutível! Mas não posso negar meu inconformismo ao saber que as creches têm férias!
Quem pode pagar por uma escola particular sabe que haverá férias duas vezes ao ano, porque há professoras, em geral formadas em pedagogia, para cuidar de seus filhos. Mesmo assim, as boas escolas oferecem as chamadas “colônia de férias” para as crianças cujos pais não estejam de férias no período das escolares. Há um custo para tal, mas estamos falando de famílias que podem oferecer esse benefício aos filhos.
Voltemos às creches: os pais poderiam pagar por esse período? Os monitores dessas creches são professores? E, se o forem, por que dois meses no início do ano e não em meses diversos? Não seria possível que cada monitor, ou mesmo professor, tivesse férias em épocas distintas do ano? Assim, todos os meses haveria pessoas trabalhando para garantir o cuidado dessas crianças.
Se eu estiver totalmente equivocada em minhas colocações, peço que me esclareçam, pois, antes disso, continuarei indignada com essa decisão de algumas prefeituras; afinal, quem precisa de creche, precisa o ano todo!