quarta-feira, 29 de agosto de 2012

COTAS: DIREITO OU PRECONCEITO?


O artigo sétimo da Declaração Universal dos Direitos Humanos roga que “todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.”
A constituição brasileira, na carta de 1988, prescreve que “são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição”.
Ambos são documentos que visam a garantir igualdade de direitos aos cidadãos: o primeiro em âmbito internacional; o segundo, nacional. No artigo citado da Constituição Federal está garantido o direito à educação, subentende-se, pois, o direito à educação superior como integrante desse artigo. Creio ser esse o argumento dos órgãos federais para votarem favoráveis à implantação das cotas das universidades federais (50% das vagas) aos estudantes oriundos do ensino público.
Entendo, contudo, que a referida lei fere os princípios propostos na declaração dos direitos humanos, pois, ainda que muitos não queiram concordar, trata-se de uma decisão discriminatória e preconceituosa. Para garantir um dever do Estado que não é cumprido há décadas, punem-se os estudantes das escolas particulares, cujos pais, muitas vezes, trabalham arduamente para garantir educação de qualidade a seus filhos.
Oras, educação “de qualidade” deveria ser garantida a todos os estudantes. E, se o fosse, não haveria necessidade de implantar cotas, afinal, todo estudante brasileiro, independente de sua escola de origem, teria as mesmas condições de concorrer às vagas nas universidades públicas. Sabemos, porém, que não é essa a realidade brasileira.
Os alunos que estudam nas escolas públicas (salvo as raras exceções que sabemos existir) enfrentam diferentes desafios para conseguir aprender os conteúdos básicos das diferentes disciplinas. Primeiro, muitos vêm de famílias que ainda não compreendem o real valor da educação institucionalizada; segundo, nem sempre o material utilizado nessas escolas é suficiente para abordar todos os assuntos necessários em cada matéria; além de haver, ainda, certa parcela de professores pouco preparados para um ofício tão importante; sem entrarmos no mérito do reconhecimento, pois, enquanto um magistrado recebe cerca de 20 mil reais como salário, o salário de um professor de ensino básico não costuma ultrapassar os 4 mil, por 40 horas semanais em sala de aula.
Trocando em miúdos, a real preocupação do governo federal deveria ser garantir que todos os alunos regularmente matriculados nas diferentes unidades de ensino público recebessem um ensino com qualidade, proporcionando a eles dignidade humana, não o benefício de algumas cotas. Como serão apresentadas as listas de aprovação? Ou não serão mais? Vamos imaginar que um aluno seja classificado na prova em 39º. lugar para um curso que ofereça 40 vagas, mas ele é oriundo de uma escola particular, claramente esse aluno não ingressará uma universidade federal, afinal, apesar de seu conhecimento declarado, não possui o benefício das cotas. Isto é justo?
A meu ver, trata-se de uma forma disfarçada de preconceito. Agora nossos filhos serão punidos por receberem boa educação institucionalizada. Parece-me que o governo quer punir as famílias mais bem favorecidas pela sua própria incapacidade de gerir o Estado. Já pagamos se queremos ter atendimento de saúde; pagamos pela segurança nas ruas de nossas casas; pagamos altos preços de seguro para proteger-nos dos criminosos; e, agora, pagaremos um preço ainda mais alto por oferecer oportunidade de estudo qualificado aos nossos filhos.
Continuo insistindo que: SE TODOS OS ESTUDANTES RECEBESSEM EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, AS COTAS SERIAM DESNECESSÁRIAS. Vamos parar de procurar soluções paliativas que apenas camuflam um problema muito mais grave. Vamos exigir qualidade nos direitos que a constituição brasileira nos garante: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Rei?


Atendendo a pedidos, mais uma poesia.
Lembram-se da sério "The Tudors", foi a minha inspiração.


Vestidos suntuosos, sob medida, personalizados
Tiaras cravejadas de pedras, preciosas, não reproduzidas,
Damas por belos cavalheiros, em trajes de gala, conduzidas,
Em bailes majestosos, em salões que reluziam perolizados.

Danças respeitosas, que ainda assim permitiam ruborizados
Sorrisos, da dama discreta cujas mãos eram conduzidas,
Por um distinto mancebo que com flores trazidas,
Levava-a às nuvens, com seus olhos por ela encantados.

E então, mãos dadas, olhares trocados, calor encontrado,
Jovens se embalavam e se enlaçavam em sedutora valsa bela,
Que assim os tornava, ainda que efêmero, um par enamorado.

Neste mundo de magia e sedução, cujo palácio é a passarela
Por onde passa o mais suntuoso e de glamour o encanto enlaçado
Ah, como eu queria estar, e ser do Rei a perigosa donzela.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Passei de 1000!!!!

Dez meses atrás, começava minha tentativa de publicar os textos que escrevo. Inicialmente para mim mesma, porque escrever me faz feliz. É a maneira que encontro de extravasar meus sentimentos, seja de alegria, tristeza, indignação ou paixão. Todavia escrever só para mim parecia pouco: sempre digo que escrevemos para alguém ler; alguém além de nós mesmos, os escritores. Decidi, então, convidar todos aqueles que gostam de ler a acompanhar essa minha façanha. E muitos amigos, alunos e até pessoas que não conheço pessoalmente aceitaram-no.
Empolguei-me ainda mais e passei a escrever cada vez com mais frequência, respeitados os limites de uma profissional-esposa-mãe-mulher (puxa, somos muitas em uma só, não??). Começaram, então, os comentários: minhas irmãs, alguns amigos, alunos... Meus alunos leem o que escrevo! Fascinante... Fui aos poucos descobrindo como é gratificante ouvir comentários sobre o que escrevemos.
Pessoas queridas escrevem-me para agradecer pelo que leram; outras para dizer que concordam com minhas palavras; e algumas para manifestar seus sentimentos...
Acho que estou descobrindo o sabor de ser escritor (escritor??? Quanta presunção)... Nunca foi essa a minha pretensão, mas, efetivamente, sinto mais vontade de escrever quanto mais leem o que escrevo. E, hoje, este blog ultrapassou 1000 (MIL) acessos. Felicidade imensa é o que sinto, por saber que de alguma forma estou deixando uma contribuição para a humanidade, através das pessoas que estão ao meu redor.
Muito obrigada pelo carinho e pela confiança. Espero poder continuar fazendo parte das leituras de pessoas tão especiais.

Abraços,

Elizânia

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Medo da Solidão?


Uma aluna disse ter medo da solidão, então lembrei-me deste texto que criei há alguns anos, quem sabe possa ajudá-la e a outros que tenham o mesmo receio.

Como definir solidão?
Não sei se há uma definição, por isso não tentarei definir, afinal, solidão é um estado, e pode ser diferente para cada pessoa.
Solidão é algo que causa medo, pois muitas coisas são ditas por nós a nós mesmos na solidão, coisas que muitas vezes não queremos ouvir, ou fingimos não ouvir. É na solidão que encontramos nosso “Eu” mais real, mais puro, mais “transparente”. E, às vezes, encontrá-lo pode parecer perigoso, pois há muito de nós que preferimos ocultar, que escondemos até de nós mesmos.
Solidão é o momento em que conseguimos olhar para dentro de nós e ver o que se passa no íntimo de nosso Eu, é um momento de descobertas, de sustos, de confrontos. Ninguém conhece a si mesmo se nunca teve um momento de solidão, mas não uma solidão melancólica; uma solidão agradável, sincera, quando nos dispomos a ver e sentir tudo o que está dentro de nós, seja o que já conhecemos ou uma nova descoberta, ouvir tudo o que é dito pela nossa consciência ou pelo inconsciente.
A solidão é algo que classifico como indispensável para o ser humano, pois é na solidão que podemos encontrar nossos maiores anseios, conhecer nossos desejos mais íntimos e ninguém precisa saber de nada. Há muito em cada um de nós que nunca revelamos a ninguém, mas é muito bom de sentir, embora sozinhos. É como o desejo de encontrar alguém que sabemos, com certeza, que jamais poderemos encontrar, a solidão nos permite sentir a presença dessa pessoa a ponto de a julgarmos real.
Tudo na vida é bom, quando de forma moderada, e a solidão também. Claro que não podemos viver de solidão, mas precisamos dela para entender  muito do que se passa em nossa vida. Permitir-se a solidão é permitir-se parar para ouvir a si mesmo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Emoções



Barriga no chão, pés ao vento
Cabeça erguida, olhos passantes
Mente repleta de encantamento
Não se sabe se no amanhã ou no antes

As mãos passeiam lentamente
A cabeça às vezes ao lado cai.
Ora sorri, parece contente
Ora uma lágrima, do olho cai

Ficou triste a pequena menina,
De uma tristeza que não lhe pertence,
Tomou para si a dor, a pequenina,
Ainda que a respeito ela não pense

A dor passou, a tristeza se foi
E novo sorriso acompanha um olhar
Que em busca do infinito parece dizer “oi”
Ainda que esteja apenas a imaginar

De repente uma gargalhada
Olha ao redor; “será que alguém escutou?”
Que diferença faz? Nova risada,
Minutos depois sentou e chorou

Quanta emoção pode despertar
Em breves momentos de cumplicidade
O prazer que pode encontrar
Nas páginas do livro, qualquer idade...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Rotina???


Nada me faz mais feliz que poder todos os dias olhar para os olhos de meu amado esposo, sentir seu perfume no abraço e o doce sabor de seus beijos. Acordar ao seu lado e ouvir seu “Bom Dia!”, preparar o café que tomaremos juntos e sair de mãos dadas para mais um dia. Estar bela quando ele chegar, com pele suave para que ele toque e doce perfume para que ele sinta.
Nada me alegra mais que o sorriso da minha filha... Cada vez que ela me olha e diz o que quer-que-seja sinto como se ouvisse a mais bela canção. Ouvir sua voz dizendo “mamãe” é o maior acalanto para meu coração. Prepará-la para a escola, auxiliá-la em seu banho, preparar seu leite são prazeres e não deveres.
Preparar todos os dias o jantar para essas duas pessoas maravilhosas que fazem parte de mim é meu maior deleite... Tudo igual todos os dias??? Que nada. Cada dia melhor que o anterior, pois a certeza de um grande amor nunca é igual; é sempre melhor.
 Ao contrário do que dizem alguns, toda rotina tem sua beleza, quando podemos vivê-la com quem amamos. Vivamos a beleza da rotina!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Visita ao passado...


Quem nunca quis ter a oportunidade de voltar ao passado? Mesmo que um passado não muito distante? Não é que eu queira desfazer algo, ou fazê-lo diferente: acredito que sou hoje a soma dos meus erros e dos meus acertos, e mudar qualquer atitude implicaria em mudar quem e como sou hoje (filosófico, não!?). Mas há momentos de nossas vidas em que poder ser novamente criança parece bastante interessante.
Tive a oportunidade de vivenciar isso nesse fim de semana: visitei o Sítio do Pica Pau Amarelo! É isso mesmo, estive em Taubaté, cidade de Monteiro Lobato, e visitei seu museu. Emília, Narizinho, Pedrinho, D. Benta, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e outras personagens inesquecíveis do Sítio. Algumas caracterizadas em jovens que se fazem acreditar vindos da fábula, outros em estátuas que se espalham pelo quintal do sítio.
Deixei-me levar pelo encantamento de minha filha, de apenas dois anos e meio, e, confesso, revivi um pouco do meu “faz-de-conta” também. Como não fazê-lo diante de uma garotinha que se põe diante do Saci-Pererê (em uma estátua de tamanho real) e lhe pergunta por que “tem só um pé”? Ou briga com a Cuca (também esculpida) dizendo-lhe que não brigue com o “Pelelê” ou que “não seja malvada”? Sem falar em seu encantamento quando a Narizinho lhe deu colo... Disse, então, que a via todos os dias em casa...
Isso mesmo! Alguns canais de televisão estão reprisando os episódios do Sítio na sua última versão. Que sorte! Nossas crianças podem conhecer os encantos que Lobato criou e a TV adaptou. Observar nas travessuras da Emília a genialidade das crianças; no faz de conta de Narizinho e Pedrinho a beleza que as fábulas nos oferecem, em ensinamentos que dispensam sermões; nos bolinhos da tia Nastácia o sabor da infância; e no carinho da Dona Benta o calor de um colo de vó, aquela que nos remete a mundos impossíveis e ainda vai junto para se certificar de que descubramos seus encantos. Pra não falar de todas as outras personagens, tão encantadoras quanto essas.
Passei a crer que ser Mãe é ver o mundo pelos olhos de uma criança, neste caso a minha, e acredite: não pode haver beleza maior. Ver com seus olhos é se permitir voltar ao passado, mas sem nostalgia, apenas com prazer, o prazer se ser (ou se fazer por alguns minutos) criança de novo, de poder acreditar no inacreditável, de ser feliz apenas por existir, sem necessitar de qualquer algo além de ser criança. O prazer de sentir essa sabor gostoso que está na nossa imaginação e, em momentos como esse, descobrimos que fica lá por toda a vida, basta imaginar novamente.
Descobri que ser criança é muito bom! Tem sabor de... de... Não sei... Um sabor que só criança sabe reconhecer.