domingo, 30 de setembro de 2012

Votar em quem?


Estamos a uma semana das eleições. Já decidiu em quem votar? Eu não. E o pior é que por mais que eu leia a respeito dos candidatos, ou converse com outras pessoas sobre o assunto, mais em dúvida fico. Parece que perdemos a fé na política nacional.
Vejo candidatos de diferentes idades e origens. Como se isso importasse. Mas o fato é que nenhum deles consegue me inspirar confiança. Tenho a sensação de que estão todos dizendo mentiras. De fato, a culpa não é deles, mas daqueles que já ocupam, ou ocuparam, um cargo político neste país.
Estamos acompanhando em 2012 o julgamento dos deputados e afins envolvidos no escândalo do Mensalão, que aconteceu em 2005 ou 2006 (já perdi a referência), e vemos, ainda, pessoas membros do governo que dizem ser mentira o que houve. Oras, depois de tantas provas e denúncias, vão continuar julgando-nos ignorantes? Não consigo ver possibilidade de absolvição dos envolvidos.
E, por esses e outros escândalos de corrupção, que muitas vezes “acabam em pizza”, nós, brasileiros honestos, sentimos dificuldade em acreditar que ainda haja um candidato honesto. Campanha eleitoral se preza mais a denegria a imagem alheia que a defender a própria.
Em época de eleição surgem denúncias infinitas sobre mau uso do dinheiro público. Por que elas não aparecem antes, no momento dos fatos? Por que essas pessoas que viram detetives agora, não se mantêm nessa profissão durante todos os quatro anos de mandato?
Não quero parecer ingênua e dizer que são apenas acusações eleitorescas (se me permitem o neologismo), mas gostaria de cobrar ações mais eficazes e contínuas. É preciso “ficar de olho” nos representantes em tempo integral e não apenas de forma sazonal.
Vejo candidatos bonitos nas placas, com belos sorrisos, mas qual sua real intenção para com a população? Sei de candidato que não cumpre horário em certos compromissos. Como confiar que cumprirá os compromissos? Outros que parecem querer seduzir pela imagem. Sedução é bom, mas tem lugar! Outros que se dizem amigos, mas já traíram outros amigos.
Caros leitores e amigos, posso assim chamar-lhes pois sou eu mesma, é preciso muita atenção antes de escolher em quem votar. Não bastam sorrisos e rostos bonitos, é necessário compromisso, dedicação e disposição para lutar pelas nossas cidades e, acima de tudo, contra a corrupção que tanto envergonha a política deste país.
Esta será mais uma tentativa. Espero daqui a alguns anos poder escrever que fizemos escolhas corretas e que, finalmente, nossos políticos são (serão?) honestos. Um boa eleição a todos nós.

domingo, 16 de setembro de 2012

Por que o meu é melhor??



Confesso que me incomoda essa mania do ser humano de achar que tudo que é seu é melhor: minha cultura é melhor que a do outro; minhas opiniões são melhores que as dos outros; meu jeito de agir é melhor que o dos outros; minha crença é a melhor... Já está na hora de pararmos com esse egoísmo barato e começarmos a respeitar os outros, assim como queremos ser respeitados.
Eu julgava inaceitável os pais escolherem esposos para as filhas, até ler o livro O caçador de pipas, então entendi que o fato de os pais quererem o melhor para suas filhas, e aqui se inclui a garantia de uma vida digna, é um forte motivo apresentado naquela estória. Posso negá-lo? Não! Dentre outras razões, esta me fez mudar meu pensamento: aquela cultura tem seus fundamentos.
Casal homossexual adotar uma criança? Absurdo! Podem responder alguns. Louvável! Eu diria. Quantas são as crianças que passam dia após dia esperando por um lar, por uma família? Milhares. Quantas são as pessoas dispostas o oferecem isso a elas? Não saberia responder, mas julgo serem poucas. Oras, dois homens ou duas mulheres são incrivelmente humanos e solidários quando se dispõem a amar uma criança que outros desprezaram. Seu gesto é minimante maravilhoso.
Quando o assunto é opção religiosa, minha indignação é ainda maior. Tenho a minha, respeito seus preceitos e sigo-os. Mas o que vale, realmente, a meu ver, é seguir o maior mandamento de todos: amar ao próximo como a si mesmo. Quando somos capazes de seguir esse mandamento (um só!) tornamo-nos pessoas mais dignas: respeitamos; não julgamos; oferecemos auxílio; não queremos tirar vantagem das diferentes situações da vida.
Sejamos menos hipócritas e reconheçamos que, qualquer que seja a crença professada, desde que com respeito ao próximo, é aceita pelo criador. Quem disse que esta ou aquela religião pode nos salvar? O que pode, mesmo, nos salvar ou condenar são os nossos atos. Então, amemos mais, respeitemos mais, sejamos mais solidários e, assim, vivamos em um mundo melhor.
Sim, defendo Jesus, porque creio em seu exemplo, para mim, o melhor que o mundo já teve. Mas houve outros grandes mestres que não merecem menos respeito. Talvez se eu os conhecesse melhor os admiraria mais.
Quem foi que disse que o meu é melhor? Pode ser o melhor para mim, para minha família. Mas o melhor mesmo é poder conviver com as diferenças respeitando-as. É isso que estou ensinando à minha filha. Porque me foi ensinado. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Campanha eleitoral


As eleições estão chegando e, apresentando-as, as campanhas eleitorais. finalmente, mais limpajá que os cartazes de papel estão proibidos e as placas devem respeitar a diversas regras sobre seu tamanho e local de exposição. Contudo, ainda nos incomodamos com a propaganda eleitoral gratuita. Creio que os políticos brasileiros estejam tão desacreditados que não temos mais paciência para sentar em frente à televisão e ouvi-los.
 Ontem, estava eu em um consultório médico, no horário da tal campanha e, sem opção, assisti a ela, ou parte de. Um candidato terminou seu horário apresentando pessoas comuns, possíveis eleitores, que, supostamente, criticavam outro candidato. Nenhum nome fora pronunciado, mas ficou-me evidente de quem tratavam devido ao que diziam: acusações que eu já ouvira, de forma mais direta, em outros programas.
Então fica-nos a pergunta: em que, ou quem, acreditar? Afinal, quem diz a verdade? O referido candidato atacado defende-se em seu horário alegando honestidade, entretanto, usa de um discurso retórico, aquele em que se diz apenas o que interessa. Ou seja, não entendi se sua defesa nega o que o outro acusou ou diz algo que ele julgou mais interessante.
Como ficamos nós, os eleitores? Se um candidato ocupa parte de seu horário gratuito depreciando a imagem do outro, será que não tem propostas suficientes para preencher seu tempo? Penso que quem ataca tem medo de ser atacado. Quem muito tem a dizer de si, não gasta tempo precioso fazendo as pessoas se lembrarem do outro.
Difícil, não?! Como escolher um candidato honesto, quando não conseguimos acreditar nas palavras que usam? Precisamos de um chá de democracia. Mas a democracia verdadeira, aquela que garante direito a todos, não apenas em benefício de alguns.
No dia em que voltarmos a agir como civis responsáveis, usarmos nossa memória para não votar em quem já roubou ou mentiu, votarmos pensando no bem comum e não naquilo que convém unicamente a nós, talvez, então, descobriremos que a democracia somos nós: pessoas de bem que lutam pelo bem.
Por hora, façamos a nossa parte e votemos conscientes, procurando escolher ao menos alguém que possa tentar agir dignamente.




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Uma pedra no caminho


No meio do caminho tinha uma pedra... Quem nunca ouviu esse célebre poema de Drummond? Mas o que o poeta queria nos dizer com suas palavras? A mim, parece ser uma interrogação sobre “as pedras” que encontramos todos os dias nos nosso caminho: trata-se dos problemas, grandes ou pequenos, que precisamos enfrentar para crescer.
Poucos são os dias em que não temos algo para resolver, às vezes são questões tão simples que percebemos não ser necessário nos preocupar, se dissolverão sem nosso esforço. Outras vezes, o conflito é tamanho que temos a sensação de que nunca se resolverá. Todas essas pedras, no entanto, estão à nossa frente para nos indicar a importância de lutar, dia após dia, por uma vida melhor, por um mundo melhor, por escolhas melhores.
A maior dificuldade, verdadeiramente, é saber lidar com essas pedras sem desejar atirá-las longe, ou em outras pessoas. É saber ultrapassá-las sem ignorá-las. É vencê-las sem que a ira tome conta de nosso ser e nos obrigue a agir sem discernimento, apenas pelo impulso que os sentimentos nos provocam.
Felizmente, nessas ocasiões, costumamos encontrar um bom samaritano disposto a curar nossas feridas e nos guiar a um caminho mais seguro. Uma pessoa pronta para nos ajudar a erguer a pedra, colocá-la fora do nosso caminho e oferecer mão amiga para que continuemos seguindo, de cabeça erguida e coração puro.
Todavia, o mais importante a se considerar nessas ocasiões e o quanto podemos aprender com essas pedras que insistem em aparecer. Elas devem ser os degraus para nossas conquistas, afinal, tanto mais sabemos, quanto mais lutamos. Mais conhecemos, quanto mais buscamos a sabedoria. E nos fortalecemos, à medida que enfrentamos nossos problemas e mostramos a eles que somos mais fortes que a dor.
Se jovem ou maduro, o aprendizado é igual. Somos melhores porque queremos ser, não para mostrar a alguém, mas a nós mesmos. Continuemos fazendo das nossas pedras motivos para lutar mais, e conquistar o que estiver ao nosso alcance. E se estiver além, lutemos ainda mais.