As eleições estão chegando e, apresentando-as, as campanhas
eleitorais. finalmente, mais limpa, já que os cartazes de papel estão proibidos e as placas devem respeitar a diversas regras sobre seu
tamanho e local de exposição. Contudo, ainda nos incomodamos com a propaganda eleitoral gratuita. Creio que os políticos brasileiros estejam tão
desacreditados que não temos mais paciência para sentar em frente à televisão e
ouvi-los.
Ontem, estava eu em um consultório médico, no horário da tal
campanha e, sem opção, assisti a ela, ou parte de. Um candidato terminou seu
horário apresentando pessoas comuns, possíveis eleitores, que, supostamente, criticavam
outro candidato. Nenhum nome fora pronunciado, mas ficou-me evidente de quem
tratavam devido ao que diziam: acusações que eu já ouvira, de forma mais
direta, em outros programas.
Então fica-nos a pergunta: em que, ou quem, acreditar? Afinal, quem
diz a verdade? O referido candidato atacado defende-se em seu horário alegando
honestidade, entretanto, usa de um discurso retórico, aquele em que se diz
apenas o que interessa. Ou seja, não entendi se sua defesa nega o que o outro
acusou ou diz algo que ele julgou mais interessante.
Como ficamos nós, os eleitores? Se um candidato ocupa parte de seu
horário gratuito depreciando a imagem do outro, será que não tem propostas
suficientes para preencher seu tempo? Penso que quem ataca tem medo de ser
atacado. Quem muito tem a dizer de si, não gasta tempo precioso fazendo as
pessoas se lembrarem do outro.
Difícil, não?! Como escolher um candidato honesto, quando não
conseguimos acreditar nas palavras que usam? Precisamos de um chá de
democracia. Mas a democracia verdadeira, aquela que garante direito a todos, não
apenas em benefício de alguns.
No dia em que voltarmos a agir como civis responsáveis, usarmos
nossa memória para não votar em quem já roubou ou mentiu, votarmos pensando no
bem comum e não naquilo que convém unicamente a nós, talvez, então,
descobriremos que a democracia somos nós: pessoas de bem que lutam pelo bem.
Por hora, façamos a nossa parte e votemos conscientes, procurando
escolher ao menos alguém que possa tentar agir dignamente.
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