Não costumo publicar aqui textos de outrem, mas este merece ser divulgado!
Concordo com sua crítica Fiuza.
Por: Guilherme Fiuza
Ninguém tinha entendido direito o
significado das manifestações de rua, até sair o novo artigo do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, distribuído pelo “New York Times”. No texto, ele
explica ao Brasil e ao mundo, com clareza, o motivo da febre de passeatas que
pararam o país em junho: o sucesso “econômico, político e social” do governo
popular. Quem não entendeu, é porque não fala inglês. A explicação é simples: o
governo do PT melhorou a vida das pessoas, e por isso elas se tornaram mais
participativas. E foram às ruas pedir à presidente Dilma Rousseff que melhore
ainda mais o Brasil. Como ninguém notou que os protestos eram, no fundo,
decorrência do êxito petista?
Ainda bem que Lula e Dilma foram
modestos em sua genialidade administrativa. Se tivessem usado toda a sua
virtude, o Brasil seria hoje uma superpotência mundial, e o povo participativo
não sairia mais das ruas, pedindo ao PT a conquista do Sistema Solar. Essa
gente nunca está satisfeita.
O artigo de Lula da Silva lembra a
luta de Anderson Silva. Ambos chegaram ao topo e resolveram rebolar em frente
aos adversários. Ambos substituíram a humildade do passado pela empáfia,
lambuzados de arrogância pelo poder conquistado. Quando Luiz Inácio da Silva
afirma que as multidões foram às ruas por causa do sucesso de seu governo, está
dançando no octógono. Tripudia da opinião pública, diz-lhe que pode soltar o
disparate mais bizarro, a fantasia mais tosca, o rebolado ideológico mais
obsceno, que nada o derrubará. A diferença entre os Silvas é que Anderson tinha
pela frente um punho cerrado. Lula tem pela frente uma geleia chamada Brasil.
A geleia geral brasileira produziu a
revolta mais ignorante da história. Milhões de manifestantes foram às ruas
empurradas pela inflação, que envenenou o tomate, os ônibus e a cesta básica da
vida cotidiana. Os governos do articulista do “New York Times” e de sua
sucessora dançaram diante da escalada dos preços, zombaram dela a céu aberto.
Abandonaram a meta de inflação, derramaram dinheiro público em sua máquina de
quatro dezenas de ministérios, esconderam déficits fraudando a contabilidade
governamental – entre outros atentados à economia nacional. Avisamos aqui,
algumas vezes, que a conta da orgia populista chegaria. Ela chegou, e os
revoltosos saíram às ruas. Mas não tocaram um dedo nos fanfarrões do octógono.
Sobre as cabeças dos manifestantes, passaram voando, tranquilos, dois
dos principais aliados de Lula e Dilma – os presidentes da Câmara e do Senado,
em seus passeios à custa do contribuinte em aviões da FAB. Sempre lembrando que
o uso dos aeroportos pelos cidadãos que fazem passeatas continua infernal, até
porque a agência reguladora do setor foi entregue ao esquema parasitário de
Rosemary Noronha. Onde anda Rosemary? Anda livre, leve e solta, protegida dos
processos judiciais pelo Palácio do Planalto, assistindo às passeatas pela TV e
feliz de não avistar um único cartaz de protesto com seu nome. A revolução é
cega – e o crime compensa.
A farra com dinheiro público nos
estádios bilionários da Copa – um dos rabos peludos da inflação que acossa os
revoltosos – ficou por isso mesmo. Dilma disse que o dinheiro voltará para o
governo, e os manifestantes engoliram. A revolta mais ignorante da história
engole tudo. Não é capaz de ler meia dúzia de notícias e entender que os
“empréstimos” do BNDES são praticamente doações, considerando os prazos e juros
de pai para filho. Ou de sócio para sócio.
É muito fácil parasitar o Brasil. Milhões
de indignados saem às ruas, e ninguém tem a ideia de bloquear o “Itaquerão” –
estádio de abertura da Copa, arrancado na marra do contribuinte (mais de R$ 1
bilhão) pelo articulista do New York Times. Ninguém tem a ideia de bloquear o
40° ministério de Dilma, contando o do Marketing, um cabide criado em plena
disparada da inflação e freada da economia – um escárnio, um rebolado no
octógono. Anderson Silva para presidente.
No Planalto, o lutador debochado
jamais beijará a lona. A política brasileira é muito mais generosa que o UFC.
Qualquer problema é só jogar uma proposta de plebiscito no ar, que o oponente
se distrai. E depois ainda dá para se vangloriar de seu deboche, em inglês, no
New York Times. Ninguém quer outra vida.