sábado, 5 de novembro de 2011

Você tem medo de quê?

No livro “O diário da princesa”, há uma frase muito inteligente afirmando que a coragem não é a ausência do medo, mas a disposição para enfrentá-lo. Creio que esta seja uma das maiores verdades que já ouvi. Desafiaria os grandes nomes da nossa história a provarem que sua coragem era exclusiva, entretanto, admitir que tivessem medo não diminuiria sua glória, afinal, venceram.
Recentemente, uma pessoa querida procurou-me questionando sobre um medo: desistir ou arriscar? ARRISCAR! Sempre. Acredito que os maiores medos nos afligem em momentos de mudanças, pequenas ou grandes, mas se desistimos estamos nos acovardando, fugindo do novo que pode ser incrível. E se não o for, ainda teremos outras oportunidades para tentar novamente. Triste, mesmo, para mim, é a angústia de não saber como teria sido.
Quando olhamos para nosso passado e percebemos que erramos, estamos recebendo da vida a oportunidade de corrigir esses erros, ou, ao menos, de não mais cometê-los; mas quando olhamos e constatamos que poderíamos ter feito e não fizemos, surge um certo vazio, como se faltasse algo. E, de fato, falta. Falta a visão do que poderíamos ter descoberto, ter vivido, ter aprendido, se tivéssemos ousado.
Concordo se alguém estiver pensando: “mas às vezes a melhor escolha é não fazer algo”; contudo, neste caso, você também arriscou. Teve ousadia suficiente para decidir por não fazer porque acreditou que era esta a melhor escolha naquele momento, ainda que venha a se questionar sobre como teria sido, não o fará com angústia, mas com curiosidade. E a curiosidade nos abre novas portas, para, quem sabe, fazê-lo em outro momento com maior discernimento.
Imagino que, neste período, muitos dos meus queridos alunos (e outros tantos jovens) estejam se questionando se devem já arriscar nos vestibulares ou esperar mais um ano. E a resposta não pode ser outra senão: arrisque! Faça o seu melhor e se ele não for o suficiente para o que você deseja, esteja preparado para trabalhar ainda mais por alcançá-lo. Afinal, só merecem os louros aqueles que persistiram.
Uma excelente prova para todos vocês, jovens corajosos da nossa Nação brasileira.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nada é comum

Bom dia, Amigos

Estou lendo com meus alunos do 9o. ano um livro interessantíssimo que se chama "Ei, tem alguém aí?", de Jostein Gaarder, o autor de "O mundo de Sofia".  No livro encontramos diversos questionamentos sobre pessoas, mundo, atitudes, pensamentos e dentre essas reflexões discutimos uma nesta semana que é a afirmação de que "nada é comum". O protagonista, Joaquim questiona a afirmação de que galinha seja um ser comum, de que haja um "menino comum", ou uma "menina  bem comum", e nos conduz a uma reflexão a respeito de todos serem especiais, únicos, basta que conheçamos "a menina" para que esta deixe de ser comum.
Concordo com essas afirmações, mas concordo também com um texto que li há alguns anos valorizando, de certa forma, o oposto: trata-se de reconhecer a beleza dos dias comuns. Não os vejo como antagônicos, ao contrário, creio que os dois se complementem. E, por essa razão, trago aqui esse texto para lerem, será, certamente, muito proveitoso. Não deixem, também, de ler o livro, meus alunos estão adorando.

A Beleza dos Dias Comuns


No final do dia, o marido se dirige à esposa e diz: “Hoje foi um daqueles terríveis dias comuns”.
Acho muito interessante como temos uma visão errada sobre os “dias comuns”. Dias comuns são aqueles dias em que tudo foi exatamente como sempre havia sido antes.
Normalmente, eles são reconhecidos como tediosos e maçantes. Prefiro observar os “dias comuns” de forma diferente (até porque a maior parte dos nossos dias são “comuns”; se eles forem chatos, a nossa vida tende a ser uma chatice só!). 
Para mim, os “dias comuns” têm grande valor. Quer ver?
Nos dias comuns eu não estou doente nem estou com dor (quando tenho alguma dor, o dia não é um dia comum).  
Nos dias comuns ninguém que eu amo faleceu ou está muito doente (quando alguém que eu amo está sofrendo, os dias não são comuns).
Nos dias comuns não perco o meu emprego.
Nos dias comuns a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe.
Nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão “de mal” comigo. 
Nos dias comuns eu não passo fome nem frio.
Nos dias comuns eu não participo das guerras, nem vejo a morte bem perto de mim. 
Nos dias comuns o sol não provocou uma seca, nem a chuva provocou uma enchente.
Nos dias comuns não sou assaltado nem seqüestrado.
Nos dias comuns os amigos não me traem.
Nos dias comuns estou em paz.
Viu? Dias comuns podem se tornar tediosos, mas dias “especiais” (não comuns), podem ser muito difíceis e sofríveis. Por isso, prefiro os dias comuns e escolho valorizá-los.
No ordinário dos “dias comuns” eu vejo a mão de Deus. Por isso, sou grato pela beleza dos “dias comuns”...
Então... Feliz dia comum!
 
(autor desconhecido)