Estou lendo com meus alunos do 9o. ano um livro interessantíssimo que se chama "Ei, tem alguém aí?", de Jostein Gaarder, o autor de "O mundo de Sofia". No livro encontramos diversos questionamentos sobre pessoas, mundo, atitudes, pensamentos e dentre essas reflexões discutimos uma nesta semana que é a afirmação de que "nada é comum". O protagonista, Joaquim questiona a afirmação de que galinha seja um ser comum, de que haja um "menino comum", ou uma "menina bem comum", e nos conduz a uma reflexão a respeito de todos serem especiais, únicos, basta que conheçamos "a menina" para que esta deixe de ser comum.
Concordo com essas afirmações, mas concordo também com um texto que li há alguns anos valorizando, de certa forma, o oposto: trata-se de reconhecer a beleza dos dias comuns. Não os vejo como antagônicos, ao contrário, creio que os dois se complementem. E, por essa razão, trago aqui esse texto para lerem, será, certamente, muito proveitoso. Não deixem, também, de ler o livro, meus alunos estão adorando.
A Beleza dos Dias Comuns
No final do dia, o marido se dirige à esposa e diz: “Hoje foi um daqueles terríveis dias comuns”.
Acho muito interessante como temos uma visão errada sobre os “dias comuns”. Dias comuns são aqueles dias em que tudo foi exatamente como sempre havia sido antes.
Normalmente, eles são reconhecidos como tediosos e maçantes. Prefiro observar os “dias comuns” de forma diferente (até porque a maior parte dos nossos dias são “comuns”; se eles forem chatos, a nossa vida tende a ser uma chatice só!).
Para mim, os “dias comuns” têm grande valor. Quer ver?
Nos dias comuns eu não estou doente nem estou com dor (quando tenho alguma dor, o dia não é um dia comum).
Nos dias comuns ninguém que eu amo faleceu ou está muito doente (quando alguém que eu amo está sofrendo, os dias não são comuns).
Nos dias comuns não perco o meu emprego.
Nos dias comuns a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe.
Nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão “de mal” comigo.
Nos dias comuns eu não passo fome nem frio.
Nos dias comuns eu não participo das guerras, nem vejo a morte bem perto de mim.
Nos dias comuns o sol não provocou uma seca, nem a chuva provocou uma enchente.
Nos dias comuns não sou assaltado nem seqüestrado.
Nos dias comuns os amigos não me traem.
Nos dias comuns estou em paz.
Viu? Dias comuns podem se tornar tediosos, mas dias “especiais” (não comuns), podem ser muito difíceis e sofríveis. Por isso, prefiro os dias comuns e escolho valorizá-los.
No ordinário dos “dias comuns” eu vejo a mão de Deus. Por isso, sou grato pela beleza dos “dias comuns”...
Então... Feliz dia comum!
(autor desconhecido)
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