Quem nunca quis ter a oportunidade de
voltar ao passado? Mesmo que um passado não muito distante? Não é que eu queira
desfazer algo, ou fazê-lo diferente: acredito que sou hoje a soma dos meus
erros e dos meus acertos, e mudar qualquer atitude implicaria em mudar quem e
como sou hoje (filosófico, não!?). Mas há momentos de nossas vidas em que poder
ser novamente criança parece bastante interessante.
Tive a oportunidade de vivenciar isso
nesse fim de semana: visitei o Sítio do Pica Pau Amarelo! É isso mesmo, estive
em Taubaté, cidade de Monteiro Lobato, e visitei seu museu. Emília, Narizinho,
Pedrinho, D. Benta, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e outras personagens
inesquecíveis do Sítio. Algumas caracterizadas em jovens que se fazem acreditar
vindos da fábula, outros em estátuas que se espalham pelo quintal do sítio.
Deixei-me levar pelo encantamento de minha
filha, de apenas dois anos e meio, e, confesso, revivi um pouco do meu “faz-de-conta”
também. Como não fazê-lo diante de uma garotinha que se põe diante do
Saci-Pererê (em uma estátua de tamanho real) e lhe pergunta por que “tem só um
pé”? Ou briga com a Cuca (também esculpida) dizendo-lhe que não brigue com o “Pelelê”
ou que “não seja malvada”? Sem falar em seu encantamento quando a Narizinho lhe
deu colo... Disse, então, que a via todos os dias em casa...
Isso mesmo! Alguns canais de televisão
estão reprisando os episódios do Sítio na sua última versão. Que sorte! Nossas crianças
podem conhecer os encantos que Lobato criou e a TV adaptou. Observar nas
travessuras da Emília a genialidade das crianças; no faz de conta de Narizinho
e Pedrinho a beleza que as fábulas nos oferecem, em ensinamentos que dispensam
sermões; nos bolinhos da tia Nastácia o sabor da infância; e no carinho da Dona
Benta o calor de um colo de vó, aquela que nos remete a mundos impossíveis e
ainda vai junto para se certificar de que descubramos seus encantos. Pra não
falar de todas as outras personagens, tão encantadoras quanto essas.
Passei a crer que ser Mãe é ver o mundo
pelos olhos de uma criança, neste caso a minha, e acredite: não pode haver
beleza maior. Ver com seus olhos é se permitir voltar ao passado, mas sem
nostalgia, apenas com prazer, o prazer se ser (ou se fazer por alguns minutos)
criança de novo, de poder acreditar no inacreditável, de ser feliz apenas por
existir, sem necessitar de qualquer algo além de ser criança. O prazer de
sentir essa sabor gostoso que está na nossa imaginação e, em momentos como esse,
descobrimos que fica lá por toda a vida, basta imaginar novamente.
Descobri que ser criança é muito bom! Tem
sabor de... de... Não sei... Um sabor que só criança sabe reconhecer.
Que lindo!! Como é bom recordar os tempos de criança e se deixar levar pelas boas lembranças nas asas da imaginação... mas agora, já crescidas, amei a parte onde vc disse, que ser mãe é olhar o mundo com os olhos de uma criança!! Ameii!! Obrigada por compartilhar conosco. Bjosss e uma ótima tarde!!
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