Uma aluna disse ter medo da solidão, então lembrei-me deste texto que criei há alguns anos, quem sabe possa ajudá-la e a outros que tenham o mesmo receio.
Como
definir solidão?
Não sei se há
uma definição, por isso não tentarei definir, afinal, solidão é um estado, e
pode ser diferente para cada pessoa.
Solidão
é algo que causa medo, pois muitas coisas são ditas por nós a nós mesmos na
solidão, coisas que muitas vezes não queremos ouvir, ou fingimos não ouvir. É
na solidão que encontramos nosso “Eu” mais real, mais puro, mais
“transparente”. E, às vezes, encontrá-lo pode parecer perigoso, pois há muito
de nós que preferimos ocultar, que escondemos até de nós mesmos.
Solidão
é o momento em que conseguimos olhar para dentro de nós e ver o que se passa no
íntimo de nosso Eu, é um momento de descobertas, de sustos, de confrontos.
Ninguém conhece a si mesmo se nunca teve um momento de solidão, mas não uma
solidão melancólica; uma solidão agradável, sincera, quando nos dispomos a ver
e sentir tudo o que está dentro de nós, seja o que já conhecemos ou uma nova
descoberta, ouvir tudo o que é dito pela nossa consciência ou pelo
inconsciente.
A
solidão é algo que classifico como indispensável para o ser humano, pois é na
solidão que podemos encontrar nossos maiores anseios, conhecer nossos desejos
mais íntimos e ninguém precisa saber de nada. Há muito em cada um de nós que
nunca revelamos a ninguém, mas é muito bom de sentir, embora sozinhos. É como o
desejo de encontrar alguém que sabemos, com certeza, que jamais poderemos
encontrar, a solidão nos permite sentir a presença dessa pessoa a ponto de a
julgarmos real.
Tudo
na vida é bom, quando de forma moderada, e a solidão também. Claro que não
podemos viver de solidão, mas precisamos dela para entender muito do que se passa em nossa vida.
Permitir-se a solidão é permitir-se parar para ouvir a si mesmo.
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