Houve um tempo em que carnaval era festa cristã, repleta de significados que envolviam a família e as crenças em um Deus que sofreu pela libertação de seu povo. A festa continua repleta de significados, mas já não são os mesmos: hoje é desculpa para mostrar o corpo, beber, ultrapassar os limites da moral.
Não quero ser puritana, mas creio na importância dos limites, afinal somos indivíduos que merecem respeito, e que tipo de respeito esperamos quando nossas atitudes extrapolam as espectativas de uma sociedade que pretende educar. Penso que educar, nesse caso, é justamente apontar os limites: mostrar nosso corpo àqueles que amamos verdadeiramente; beber para apreciar e não para depreciar; fazer festa para comemorar, não para abusar.
Há uma distinção entre liberdade e libertinagem, a primeira nos permite agir até que o nosso direito não fira o do outro; o segundo, nos tira esse discernimento. Fico pensando no que as crianças que veem essa festa e seus participantes pensam, quando o pai diz que não ela não deve usar uma saia muito curta, ou uma blusa tão justa (eles ainda falam essas coisas?). Como convencer um filho sobre essas atitudes, se eles veem pessoas semi-nuas na televisão e milhares aplaudindo.
Como mãe, farei o possível para mostrar à minha filha o valor que ela tem, mas sei que ela conviverá com pessoas que não terão os mesmos valores que ela, e o que fazer? Proibir suas amizades? Não. Orientá-la bem para que ela seja exigente em suas escolhas. E quando ela quiser ir ao carnaval? Bem orientada, que vá, e tire suas próprias conclusões, como fiz anos atrás, quando pedi a meus pais para ir a um baile desses. Sua reação não foi das melhores, mas consentiram. Fui com minha irmã e amigas. A festa estava ótima, dançamos muito e nos divertimos, mas vimos situações, as quais não quero ver mais.
Meninas que se "esfregavam" em garotos desconhecidos, meninos bebendo loucamente, como se álcool fosse água, e a pior delas: um garoto sendo retirado da festa, carregado por paramédico com overdose, fico me perguntando como ele estará hoje...
Ninguém precisou dizer nada a respeito, nunca mais quis ir a um baile desses.
Que pena, pois acho a festa linda, tem um ritmo contagiante, mas nem todos conseguem curtir sem exagerar, então fico em casa, com minha família e fazemos nossa festa à parte. Espero que um dia aquele espírito de família seja resgatado e possamos novamente levar nossos filhos à essas festas sem medo do que possam ver.
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