Muitas vezes encontro mães amigas que se deparam com esta pergunta: ser mãe ou profissional? Também já me encontrei com essa dúvida, e sempre digo a elas como resolvi o impasse: Ser as Duas!
Quem foi que disse que para ser uma boa mãe não se pode ser uma boa profissional? Ninguém com sabedoria divina diria tal sandice. Ao contrário, sábios diriam que ambas são funções divinas e que podem conviver ser conflito. É preciso, apenas, saber dosar ambas; saber o momento de ceder espaço de uma para outra; reconhecer a hora de diminuir as exigências sobre si mesma. Trata-se de um processo contínuo de adaptação, que mudará à medida que as necessidades de uma ou outra surgirem, mas, acima de tudo, à proporção que aprendemos a lidar com elas.
Houve um tempo em que ser mãe sequer fazia parte da minha lista de projetos e objetivos para a vida, naquela época dei o melhor de mim para me tornar uma grande profissional: talentosa, dedicada e sempre inteirada sobre todos os assuntos que envolviam a minha carreira como professora. Assim, quando a palavra mãe surgiu, então, no meu vocabulário, eu pude dedicar-me intensamente a essa maravilhosa jornada que nunca finda. E o melhor, não precisei deixar de lado meus projetos profissionais, porque esses não podem findar também, ou o meu trabalho perderia o sentido.
Ter me dedicado com tanto afinco ao trabalho antes de ser mãe, garantiu-me a experiência e o conhecimento necessários para agora desenvolver bem o meu trabalho, sempre me atualizando, mas sem mais a ânsia de saber tudo, agora com a disposição de aprender sempre. Mudou o foco; não a direção. Continuo trabalhando para ser uma profissional competente, mas hoje posso me dar o direito de reservar tempo para minha família, pois em épocas oportunas aproveitei todas as oportunidades para aprender além de minhas necessidades daquele momento.
Quando me tornei mãe, comecei a ver o mundo com outros olhos, pois a imagem da minha filha está sempre entre mim e o que vejo, e essa imagem tem o poder de me sensibilizar diante das mais adversas situações: vejo meus alunos como pessoas em desenvolvimento, que erram porque anseiam aprender; vejo meus semelhantes como pessoas que buscam excelência, como eu, mas cada um a seu modo; vejo minha vida como a melhor, muito melhor do que eu poderia imaginar. Gosto de parafrasear Jorge Amado: Deus me deu muito mais do que ousei pedir...
A cada dia, quando me levanto para o trabalho, agradeço a esse Deus maravilhoso que me permitiu ser mãe e profissional. Agradeço pela minha família de casa e pela do trabalho, pois é assim que vejo aquelas pessoas com quem aprendo todos os dias. Agradeço porque minha filha está crescendo, e a cada dia me ensina algo novo: ser paciente e esperar o momento certo de cada coisa é um desses ensinamentos. E peço a Deus que me permita saber ensinar à minha filha a importância que ser sua mãe e uma profissional têm em minha vida.
Posso dizer que seja fácil? Definitivamente, não. Mas é possível. Com um pouco de dedicação, amor por quem somos e fazemos, amor por aqueles para quem escolhemos viver. Costumo dizer que cada vez que me acostumo ao meu novo ritmo devido às mudanças de fases de minha filha, ela cresce mais um pouco e o processo de adaptação recomeça. Às vezes tenho a sensação de que essa adaptação nunca acabará, mas qual é o problemas? Nossa vida é assim: um barco que vai pelo oceano sempre em busca de um cais, e se for necessário, mudamos o sentido das velas, mas nunca o destino.
Para mim, o grande problema é não poder se adaptar às mudanças; eu posso! E me adaptarei tanto quanto for necessário, para manter meus títulos: Mãe e Profissional. E, se houver uma pedra no meio do caminho, abaixo-me e a retiro para poder continuar; se não puder retirá-la? Então farei dela parte de minha história, seja como degrau, banco ou lembrança, mas nunca um obstáculo intransponível.
Mães: se desejam ser profissionais, sejam! Mas sejam completas em ambos os momentos, nunca metade. E, justiça seja feita: eu não teria tanta determinação se não fosse pelo meu bom esposo, que me ama, conforta e apoia em todas as minhas decisões. Se você não puder ter esse companheiro leal, eleja outra pessoa para ser seu amparo nos momentos de dúvida, mas alguém leal o suficiente para te dizer: vá! Você consegue.
Por hora, Vá! Eu sei que você consegue!
Nenhum comentário:
Postar um comentário