segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Os príncipes existem (parte V)


Incríveis descobertas

Aquela semana não foi das melhores para Anna. Algum tempo sem ver Gabriel parecia tê-lo apagado de sua memória, mas vê-lo novamente serviu, apenas, para mostrar-lhe que, de fato, estava apaixonada. Não tinha sido uma simples paquera de um garoto bonito. Havia algo mais. Havia algo dentro de Anna dizendo que aquele era o garoto ideal. Mas com namorada? Nem pensar! Nunca se imaginara na situação de “roubar” o namorado de alguém.
Sonhava com Gabriel. Via-se, durante o dia, imaginando como seria o toque de sua mão, o perfume que exalaria, o sabor de um beijo... Ainda eram bastante jovens, não sabia ao certo, mas Julia lhe dissera que ele tinha, também, vinte anos. Então, talvez, fosse necessário dar tempo ao tempo. Quem sabe um dia...
Passaram-se duas semanas sem que Anna visse Gabriel. Nem ele, nem Letícia. Provavelmente haviam desistido de participar de algo tão religioso. Anna não se lembrava de tê-los visto antes na igreja, mas sendo tão grande o local, não se vê todo o mundo mesmo.
Naquele domingo, haveria um grande encontro da juventude, reunindo as paróquias de sua cidade e, claro, Anna iria com suas amigas. Combinaram às 7h30 na casa da Mariane, pois era a que ficava mais próximo do local do evento e, assim, poderiam ir caminhando.
Anna chegou cinco minutos antes, como era de costume. E, aos poucos, as outras oito que iriam juntas chegaram, mas chegou ainda uma nona pessoa: Letícia.
- Você sabia que ela iria? Indagou Anna a Julia.
- Não. Mas há algum problema nisso?
- Não. Só espero que aquela-pessoa não vá também...
Não foi.
Seguiram juntas, numa caminhada de quinze minutos até o recinto do encontro. Era um espaço de eventos que havia na cidade, com um amplo gramado, muito bem cuidado, áreas de asfalto onde se podia andar de bicicleta em dias comuns, sem evento, e infraestrutura de água e banheiros. Era o local perfeito para grandes encontros e festas comunitárias.
Encontraram lá outros amigos, tanto de seu grupo, como os de outros grupos que conheciam na cidade. Passaram uma ótima manhã, cantando e louvando a Deus. Era uma das atividades favoritas das amigas. E poder ver milhares de jovens reunidos pela mesma razão era sempre muito bom. Já estavam saindo do local para voltarem a suas casas, quando Anna viu Gabriel, um pouco distante, com amigos que ela não conhecia, pareciam ser um pouco mais velhos que ela. seu coração disparou. Anna sentia-se estranha, nunca experimentara aquele sentimento ao mesmo tempo bom e perturbador. Imaginando que ele viria ao encontro de Letícia, ficou preocupada, não sabia como reagir diante de tal situação. Tudo aquilo era muito estranho para ela. Mas para sua surpresa, foi apenas um aceno de mão, de longe, e bem geral, daqueles que servem para todos os presentes. Todos retribuíram e seguiram seu caminho, cada grupo em uma direção.
Todas conversavam animadamente, exceto Letícia, que se limitava a rir das piadas e Anna que nada dizia, refletindo sobre o ocorrido. Cinco minutos foi o máximo que ela aguentou sem fazer perguntas. Não podia mais se conter. Aproximou-se de Letícia e, como quem não quer nada, perguntou:
- O Gabriel não quis ficar com você, por vergonha de nós?
- Não. Houve uma breve pausa que deixou Anna arrependida de ter perguntado. - É que não estamos mais juntos. Acho que ele achou indelicado ficar muito perto. Respondeu Letícia com tanta educação que fez Anna sentir remorso por não ter conversado antes com ela, ou ter tentado ser sua amiga.
- Ah, desculpa! Tratou logo de dizer. – Eu não sabia... Faz tempo?
- Duas semanas.
A curiosidade era demais. Agora que começara, não podia mais parar, queria saber mais. Tudo o que fosse possível.
- Mas o que houve? Vocês pareciam bem.
- Ah, sei lá. Acho que a gente se confundiu. Achou que era amor, mas não era. O Gabriel é um cara bem legal, educado, mas ele é muito diferente de mim. A gente achou que era melhor cada um seguir seu caminho.
Agora o coração de Anna queria saltar de sua boca. Deveria ter parado alí a conversa, porque já começara a suar frio, logo gaguejaria, mas precisava de mais informações.
- Por que diferentes?
Letícia, sem qualquer pergunta, ou desconfiança, como se num desabafo, explicou.
- Ele é muito sério. Do tipo que tem que apresentar a namorada pros pais. E eu ainda não tô a fim disso. Além disso, eu adoro balada, e ele prefere jantarzinho a dois... A gente ficou muito pouco junto. Um mês só. Melhor assim.
- É mesmo. Anna quis morrer por aquele comentário. Como podia ser tão indelicada? Até egoísta? Mas era exatamente o que estava sentindo. Contudo, tratou logo de emendar-se. – Quero dizer, se vocês não combinavam é melhor assim, não é?!
- É.
- Mas você vai ficar bem.
Outra piada da Giulia e todas riram muito, inclusive Anna, que não ouvira a estória, mas precisa sair daquela conversa antes que revelasse o óbvio.
Chegaram à casa de Mariane e cada uma tomou seu caminho.
Anna voltou para casa, não sabe bem como, talvez o carro soubesse o caminho, pois estava perdida em pensamentos incríveis. Gabriel não namorava mais: caminho livre. Ele era do tipo que quer relacionamento sério: inacreditável. Ele era gentil e educado: isso ela já havia percebido. Mas como chegar até ele? Como dizer tudo o que ela sentia? E ela podia fazer isso? Afinal, ele acabara de sair de um relacionamento, e se Letícia ainda gostasse dele e só estivesse escondendo para não admitir um fora? A cabeça de Anna estava a mil. Mas uma coisa era certa: ele estava livre.




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