Há alguns meses, quem vai ao supermercado
tem de levar suas próprias sacolas para levar as compras para casa. Isso porque
ser determinou que as inofensivas sacolinhas são as responsáveis pela poluição
de rios, mares e ruas. As discussões sobre prós e contras das sacolinhas
duraram meses, até que uma lei as proibiu em todos os supermercados do estado
de São Paulo.
O que mudou? Começamos a comprar sacos plásticos para colocar o
lixo. E esses sacos, não poluem? Há quem alegue que eles são degradáveis com
mais facilidade que as sacolinhas. E por que as sacolinhas não poderiam o ser?
Porque ficariam muito frágeis. Era uma das respostas.
De fato. Os tais sacos de lixo já foram rasgados duas vezes em
frente à minha casa, pelos coletores que, ao pegarem-no da lixeira, rasgam os
saquinhos, dada sua fragilidade. E eu tenho de pegar o lixo que se espalha pela
rua. Oras, a sacolinha nunca rasgou, então a higiene era maior, concordam?
Além disso, vi algumas vezes pessoas
saindo do supermercado carregando suas compras nas mãos, pois haviam esquecido
suas sacolas em casa e alguns estabelecimentos preferiam reciclar as caixas de
papelão a oferecê-las aos clientes como opção às sacolinhas.
No último dia 25 de junho, uma juíza
(sábia, eu diria), decretou que os estabelecimentos comerciais voltem a
oferecer as sacolinhas e em seguida procurem opções mais ecológicas como
embalagens de material biodegradável ou de papel, todos gratuitos. Brilhante
decisão. Afinal: primeiro, nenhum do estabelecimentos que frequento diminuiu o
valor dos produtos por não oferecer mais as sacolinhas; segundo, o problema da poluição
não é culpa das sacolinhas, mas da falta de conscientização das pessoas que as
utilizam.
Ainda cabe aos interessados recurso contra
essa decisão, mas espero que haja maior bom senso por parte daqueles que podem
decidir e pensem em como conscientizar as pessoas, sem punir aqueles que já
agem conforme a natureza pede: com respeito.
Eu continuarei levando minhas sacolas para
o supermercado, afinal já as tenho e posso fazer minha parte. Mas fico feliz em
saber que, se eu me esquecer das sacolas, não precisarei carregar minhas
comprar nos braços, eles poderão continuar livres para carregar minha filha.
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